Área abriga Mata Atlântica e espécies ameaçadas; manifestantes defendem que expansão ocorra na fazenda do instituto, no interior do estado

Lívia Gennari Publicado em 24/05/2025, às 21h59
Moradores e ambientalistas se reuniram na manhã deste sábado (24), no bairro do Butantã, na Zona Oeste de São Paulo, em uma caminhada para protestar contra a derrubada de mais de 6.600 árvores dentro do Instituto Butantan. A ação faz parte do projeto de expansão do complexo, que pretende construir novas fábricas de vacinas, além de outras estruturas.
O Instituto Butantan preserva fragmentos importantes de Mata Atlântica na capital, com espécies nativas como palmeira jerivá, cedro-rosa e bromélias, além de eucaliptos. A área também é habitat para diversas aves, répteis e anfíbios, segundo estudo recente do próprio instituto.
Para os moradores, a preocupação vai além da perda das árvores. Eles alertam para os impactos que a supressão dessa vegetação pode causar no microclima, na qualidade do ar e na biodiversidade da região.
O que prevê o projeto do Instituto Butantan?
A expansão do complexo está prevista no Plano Diretor do Instituto Butantan, aprovado em 2021 e encaminhado ao Ministério Público. O documento detalha quatro áreas dentro do terreno onde as árvores serão removidas para dar lugar a novas construções.
Entre os projetos previstos estão:
Atualmente, aproximadamente 50% da área do Instituto Butantan é ocupada por cobertura vegetal. Com a execução do projeto, essa proporção cairá para 43%. Apesar disso, a Fundação Butantan afirma que haverá compensação ambiental. A proposta é o plantio de 9.260 mudas dentro do próprio complexo, aumentando o número de árvores, porém em uma área verde mais compacta.
Protesto levanta questionamentos sobre alternativas
Durante a manifestação, muitos moradores questionaram a escolha do local para a ampliação. Eles sugerem que as novas instalações sejam construídas na Fazenda São Joaquim, em Araçariguama, no interior paulista, que pertence ao próprio Instituto Butantan e possui uma área muito maior e menos sensível ambientalmente.
"Não existe compensação quando se vive em uma época de emergências climáticas", afirmou uma munícipe.
Instituto Butantan defende o projeto
Procurado, o Instituto Butantan defende que a expansão é fundamental para aumentar sua capacidade de produção de vacinas e outros insumos de saúde pública. A instituição também afirma que o projeto foi elaborado com previsão de compensação ambiental e que a área continuará abrigando vegetação relevante.
Em nota, a Fundação Butantan declarou que “o desenvolvimento científico e tecnológico é essencial para atender as demandas de saúde da população” e que “todas as ações estão sendo realizadas dentro dos critérios legais, com estudos de impacto ambiental e medidas de compensação previstas”.
O caso acende um debate sobre os desafios de equilibrar desenvolvimento científico e preservação ambiental em grandes centros urbanos. Enquanto de um lado há a necessidade de ampliar a produção de vacinas, algo crucial para a saúde pública, de outro lado está a urgência da preservação dos últimos respiros verdes de uma cidade cada vez mais sufocada pelo concreto.
Para os moradores, o desenvolvimento não pode ocorrer às custas do meio ambiente. E o protesto deste sábado foi apenas o começo de uma mobilização que promete ganhar força nos próximos meses.
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