Com mais de 30 anos de relatos de milagres, a imagem atrai devotos e visitantes, levando a Igreja a instaurar uma investigação formal

William Oliveira Publicado em 31/07/2025, às 11h30
A Arquidiocese de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, anunciou a criação de uma comissão especial para investigar uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, popularmente chamada de Nossa Senhora do Mel. A imagem pertence a uma devota da cidade de Mirassol e vem atraindo a atenção da comunidade devido à suposta emissão de mel e outras substâncias, consideradas misteriosas pelos fiéis.
O fenômeno teria começado há mais de trinta anos, quando a imagem chegou à cidade. Desde então, foram relatadas manifestações como lágrimas salgadas, azeite, vinho e, mais recentemente, mel – este último se tornou o mais frequente e é consumido pelos devotos, que o consideram especial por suas propriedades incomuns.
Com o tempo, a imagem passou a atrair cada vez mais visitantes. Em agosto do ano passado, inclusive, a cantora Elba Ramalho visitou o local durante uma peregrinação. A comoção crescente despertou a atenção das autoridades eclesiásticas, especialmente após a publicação, em maio do ano anterior, de novas diretrizes do Vaticano sobre a investigação de fenômenos místicos. A partir dessas orientações, a arquidiocese decidiu instaurar sua própria Comissão de Investigação.
A comissão será multidisciplinar, composta por um delegado, um teólogo, um canonista, um perito e um notário. Todos atuarão sob juramento de fidelidade e sigilo canônico, seguindo critérios científicos e doutrinários estabelecidos pela Igreja.
Nossa Senhora do Mel
Segundo relatos, a imagem teria sido adquirida em Fátima, Portugal, na década de 1990, e presenteada a uma moradora de Mirassol. Dois anos após sua chegada, em 1993, a dona da imagem afirmou ter visto lágrimas fluírem da peça. Ela foi levada então à Igreja de São José e Santa Teresinha, onde novos relatos apontaram o surgimento de lágrimas salgadas. Posteriormente, também se falou na liberação de vinho e mel. Hoje, a imagem percorre diversas igrejas do interior paulista em peregrinação.
Apesar das investigações em andamento, a Arquidiocese não suspendeu as peregrinações nem desaconselhou a devoção dos fiéis. Em nota, representantes da Igreja informaram que o objetivo da comissão é verificar a autenticidade dos relatos e elaborar um relatório que será encaminhado ao Vaticano para análise.
Dom Antônio Emídio Vilar, arcebispo da arquidiocese, destacou que a investigação é uma resposta às muitas solicitações recebidas a respeito dos fenômenos atribuídos à imagem. Segundo ele, o trabalho da comissão é necessário para oferecer um parecer claro diante da fé popular e do interesse crescente em torno do caso.
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