Diário de São Paulo
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Intoxicação na academia

Manobrista diz não ter habilitação para manusear cloro em piscina onde aluno morreu em SP

Funcionário afirma que seguia orientações do dono da academia; caso é investigado como morte suspeita

Polícia investiga morte suspeita e perigo à saúde após incidente em academia, com foco na responsabilidade do proprietário - Imagem: Reprodução
Polícia investiga morte suspeita e perigo à saúde após incidente em academia, com foco na responsabilidade do proprietário - Imagem: Reprodução

Letícia Sales Publicado em 11/02/2026, às 12h37


O manobrista responsável pela manutenção da piscina da academia C4 Gym, na zona leste de São Paulo, prestou depoimento à polícia na tarde de terça-feira (10/2) sobre o caso de intoxicação que resultou na morte de um aluno e deixou outras seis pessoas feridas, algumas em estado grave.

Severino José da Silva, de 43 anos, afirmou que trabalha há três anos na unidade e que, além de manobrista, também realizava tarefas como abrir o estabelecimento e cuidar da piscina, por determinação do proprietário, identificado como Celso.

Em depoimento, ele declarou que não possui habilitação para manuseio de produtos químicos utilizados no tratamento da água — informação que, segundo ele, era de conhecimento do dono da academia. Severino contou que aprendeu o procedimento com o antigo funcionário e que seguia um protocolo orientado diretamente pelo proprietário.

O procedimento consistia em medir os níveis da água e do cloro, fotografar o resultado e enviar a imagem diretamente a Celso, que então orientava quais produtos deveriam ser utilizados e em qual quantidade”, relatou.

Na sexta-feira (6), Severino disse ter aplicado duas medidas de cloro na piscina, conforme instruções recebidas. No sábado (7), após nova medição apontar que a qualidade da água ainda estava inadequada, o proprietário teria orientado a aplicação de seis a oito medidas do produto.

O funcionário afirmou que preparou a solução em um balde, a cerca de dois metros da piscina, e que não despejou o cloro diretamente na água. Cerca de dez minutos depois, percebeu que os alunos começaram a passar mal. Ele tentou contato imediato com o dono, mas não obteve resposta naquele momento.

Horas depois, segundo o relato, o proprietário retornou as ligações e, ao ser informado do ocorrido, teria pedido “paciência”. Em outra ligação, teria alertado o funcionário: “Sai de casa que a polícia ‘tá’ batendo na porta de todo mundo”.

O caso foi registrado como morte suspeita e perigo para a vida ou saúde de outrem no 6º Distrito Policial de Santo André. A investigação está a cargo do 42º Distrito Policial (Parque São Lucas), na capital paulista.

Em nota, a direção da academia lamentou o ocorrido, afirmou que prestou atendimento imediato às vítimas e declarou estar colaborando com as autoridades. O estabelecimento também informou que mantém contato com os envolvidos para oferecer suporte.


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