Unidade da C4 Gym foi interditada e teve os muros pichados; polícia apura negligência e não descarta homicídio culposo

Lívia Gennari Publicado em 10/02/2026, às 14h30
A Prefeitura de São Paulo abriu, na última segunda-feira (9), o processo para cassar a licença de funcionamento da academia onde uma aluna morreu e outras cinco pessoas passaram mal durante uma aula na piscina, na Zona Leste da capital. As vítimas apresentaram sinais de intoxicação química logo após relatarem dificuldades respiratórias.
De acordo com a Subprefeitura da Vila Prudente, a unidade da C4 Gym, localizada no Parque São Lucas, foi alvo de uma operação conjunta que resultou na sua interdição imediata. Técnicos da Vigilância Sanitária identificaram uma série de irregularidades, como a ausência de alvará, problemas nas instalações elétricas e o uso de dois CNPJs registrados no mesmo endereço. O estabelecimento foi lacrado e está impedido de retomar qualquer atividade.
A investigação do caso está a cargo do 42º Distrito Policial, que apura possível omissão de socorro e responsabilidades criminal e administrativa. Uma das linhas de apuração aponta que a manipulação de substâncias químicas teria provocado a contaminação, já que o ambiente é fechado e possui pouca circulação de ar.
O delegado responsável pelo inquérito afirmou que a manutenção da piscina estava sob responsabilidade do manobrista da academia, profissional sem qualificação ou autorização para lidar com produtos desse tipo. Ele é procurado pela polícia e, segundo testemunhas, atuava sem supervisão técnica especializada, função que, conforme relatos, sequer existia no estabelecimento.
Na manhã desta terça-feira (10), a academia amanheceu com os muros pichados. As mensagens, em tom de cobrança e revolta, apontavam a responsabilidade pelo ocorrido: “A irresponsabilidade de alguns está tirando a vida de muitos”, dizia uma delas. Outra pichação afirmava que “estão de olho”, reforçando o clima de indignação no bairro. A C4 Gym é antiga na região, mas está sob nova administração há cerca de dois anos.

A polícia aguarda os laudos periciais e não descarta a possibilidade de homicídio culposo. Segundo a investigação, os proprietários devem ser responsabilizados criminalmente por negligência. Eles foram chamados para prestar depoimento nesta terça-feira (10). Enquanto isso, três alunos seguem internados em Unidades de Terapia Intensiva, dois deles em estado grave.
O que diz a academia
Em comunicado divulgado nas redes sociais, a C4 Gym lamentou a morte da aluna e afirmou estar prestando apoio às famílias. A academia declarou ter interrompido as atividades da piscina imediatamente após o incidente, acionado os serviços de emergência e seguido as orientações das autoridades sanitárias. A empresa informou ainda que conduz uma apuração interna e mantém colaboração com a investigação policial.
A Prefeitura reforçou que a cassação da licença será analisada após a conclusão do processo administrativo, enquanto as equipes de fiscalização seguem acompanhando o caso.
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