A exposição está em cartaz no Instituto Moreira Salles e apresenta 258 fotografias, incluindo 190 inéditas, da carreira do fotógrafo

William Oliveira Publicado em 28/04/2025, às 10h18
Em um tempo em que a fotografia ainda se baseava em técnicas analógicas, o acúmulo de imagens ao longo de cinco décadas representava um grande desafio, tanto financeiro quanto logístico. O fotógrafo paraense Luiz Braga se destaca nesse contexto, apresentando uma obra repleta de cores vibrantes e um vínculo emocional profundo com os sujeitos que retrata.
A exposição intitulada "Arquipélago Imaginário", que está em cartaz no Instituto Moreira Salles (IMS) em São Paulo, reúne 258 fotografias, das quais 190 são inéditas. Este evento oferece uma imersão na obra de Braga, convidando o espectador a sentir a proximidade entre o fotógrafo e as pessoas e os lugares que ele captura.
Braga resume seu trabalho como uma "grande manifestação de afeto". Ele teve a oportunidade de interagir com muitos dos retratados em diversas ocasiões, permitindo-lhe captar suas essências em diferentes momentos da vida. O fotógrafo enfatiza que suas obras não se limitam a registros técnicos; são também expressões de relações humanas profundas.
Durante sua trajetória profissional, iniciada em 1975 com fotos em preto e branco e transicionando para o uso da cor em 1980, Braga utilizou os rendimentos do seu trabalho fotográfico para continuar investindo na sua arte. Essas fotografias não comerciais eram criadas por prazer e como um exercício sensível, sem qualquer expectativa de retorno financeiro. "Não houve encomenda ou pauta; foi apenas uma maneira de me expressar e me conectar com o outro", explica.
Apesar do reconhecimento que já havia conquistado no cenário fotográfico, o artista tomou a ousada decisão de interromper a expansão do seu portfólio. Ele considera essa escolha arriscada, mas que acabou se mostrando acertada à medida que a fotografia ganhou novos contornos de popularidade.
Atualmente, Braga foca no domínio técnico da manipulação da realidade através da fotografia, buscando provocar estranhamento no espectador. Em sua seção "Nightvision - Mapa do Éden", ele ilustra como é possível criar narrativas fictícias utilizando a técnica fotográfica para estabelecer novos mundos. As imagens dessa sessão são marcadas por uma paleta que varia entre tons militares e sombras, permitindo uma leitura mais inventiva do território amazônico.
A exposição abrange também outros núcleos temáticos, como "O outro, o alheio", "Territórios e pertencimentos - o Norte", "Arquitetura da intimidade", entre outros. Para organizar essa coleção diversificada de trabalhos, uma curadoria cuidadosa foi realizada ao longo de um ano. Bitu Cassundé, parte da equipe curatorial junto com Maria Luiza Menezes, destacou que a organização prévia do arquivo de Braga facilitou significativamente sua tarefa curatorial.
Em vez de seguir uma linha do tempo rígida, Cassundé optou por apresentar as fotografias em um formato mais orgânico, onde diferentes períodos coexistem na mesma sala, oferecendo ao público uma experiência única e enriquecedora.
A relação de Braga com sua terra natal é fundamental em sua obra. Ele expressa tristeza pela falta de reconhecimento da riqueza cultural e ambiental da Amazônia por parte do público geral. O fotógrafo relata que frequentemente recebe surpresas quando seus trabalhos são confundidos com obras oriundas do Sudeste ou até do exterior.
Além disso, ele critica a indiferença e impunidade que cercam as violações dos direitos dos povos indígenas e comunidades quilombolas na região Norte do Brasil. Para ele, tais situações não seriam toleradas se ocorressem em estados como São Paulo.
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