Prédio do século 18 está tombado desde 1981 e enfrenta deterioração avançada

Gabriela Nogueira Publicado em 17/01/2026, às 09h03
A Justiça de São Paulo determinou que o governo estadual dê início à recuperação do Quartel Tabatinguera, imóvel histórico localizado no Centro da capital e que hoje apresenta sinais graves de abandono. Tombado como patrimônio público desde 1981, o prédio segue em situação crítica, apesar de sucessivos anúncios de revitalização que nunca saíram do papel.
Erguido no século 18, o antigo quartel fica ao lado da estação Dom Pedro II do Metrô, na região do Glicério. A estrutura sofre com paredes comprometidas, janelas destruídas e entulho espalhado pela calçada. Parte do espaço interno é usada como depósito de viaturas da Polícia Militar, enquanto a fachada permanece parcialmente coberta por lonas, em um cenário que contrasta com a importância histórica do imóvel.
Mesmo após a construção de um muro em 2023 para restringir o acesso, o abandono acabou agravando a sensação de insegurança no entorno. Moradores e comerciantes relatam preocupação constante com a deterioração do prédio e com o impacto urbano da falta de conservação.
A responsabilidade pela manutenção do quartel é do governo do estado, que desde o fim da década de 1990 anuncia projetos para o local, incluindo a instalação de um museu ou iniciativas de habitação popular. Nenhuma dessas propostas avançou. Em 2010, a Associação Preserva São Paulo acionou a Justiça para cobrar providências. O processo chegou ao Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a obrigação do poder público, mas a decisão não havia sido efetivada.
Agora, a nova sentença estabelece medidas concretas e prazos definidos. O governo terá 30 dias para apresentar um plano de vigilância e segurança do imóvel. Em até 60 dias, deverá entregar um plano detalhado de preservação da estrutura, com cronograma e responsáveis técnicos. Já em 90 dias, será exigida a recuperação de elementos arquitetônicos reaproveitáveis encontrados nos escombros, além da instalação de uma cobertura metálica provisória para proteger o prédio.
O projeto completo de recuperação deverá ser apresentado em até seis meses. O descumprimento das determinações pode resultar em multa diária de R$ 10 mil, limitada a R$ 1 milhão.
Na decisão, o juiz destaca que o processo se arrasta há anos sem avanços concretos e que a degradação do imóvel exige ações imediatas. O governo do estado informou, por meio da Secretaria da Segurança Pública (SSP), que a Polícia Militar realiza manutenções pontuais no local e avalia alternativas de revitalização. A Secretaria de Parcerias em Investimentos afirmou que o quartel integra um projeto de parceria público-privada, mas não detalhou prazos para execução.
Leia também

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Anac autoriza duas novas companhias aéreas internacionais a operar no Brasil

Investigado por suposta falsificação de peças de luxo já foi denunciado pelo GAECO em caso de roubo de cargas

Apoiadora de Bolsonaro realiza vigília em condomínio mesmo após restrição imposta por Moraes

São Paulo entra em alerta para temporais, ventos fortes e queda brusca de temperatura

Exame do IML não detecta lesões em menina de 4 anos; polícia segue com investigação em caso de clube social

Caiado promete pacote de reformas no primeiro dia de governo e inclui mudanças no STF

Thiago Brennand vai se casar com advogada que atua em sua defesa criminal

Justiça bloqueia veículos de empresa de Ana Hickmann em ação por cheques sem fundo

PF investiga suposta fraude financeira no Banco Digimais, ligado a Edir Macedo