Quatro policiais civis foram presos por extorquir artistas e influenciadores digitais envolvidos em rifas ilegais na região do ABC paulista

William Oliveira Publicado em 27/04/2025, às 09h44
Em uma operação realizada na última sexta-feira (25), quatro policiais civis do 6º Distrito de Santo André, no ABC paulista, foram presos sob suspeita de extorquir artistas e influenciadores digitais envolvidos em rifas ilegais. Entre os nomes citados está Julio Balestrin, bodybuilder e influenciador digital com mais de 4 milhões de seguidores, segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Foram detidos o delegado Fábio Marcelo Fava e os investigadores Adriano Fernandes Bezerra, Magally Ivone Rodrigues e Múcio de Assis Ladeira. Além disso, houve a quebra de sigilos bancários dos envolvidos. Um quinto policial, Rodrigo Barros de Camargo, conhecido como Rato, já havia sido preso em dezembro durante uma fase anterior da investigação. Camargo atuava em parceria com Eronias Rodrigues Barbosa, responsável por monitorar perfis que promoviam rifas ilegais.
Interceptações telefônicas revelaram conversas em que Eronias mencionava Balestrin, sugerindo seu envolvimento com apostas. Em outro diálogo, Rodrigo pediu autorização ao delegado Fava para continuar as ameaças contra o influenciador, recebendo sinal verde. A investigadora Magally também admitiu que Balestrin havia sido intimidado, mas ressaltou que ele estava fora do país, e seu advogado solicitou novo agendamento.
Cinco mandados de busca e apreensão e quatro de prisão preventiva foram expedidos pela 1ª Vara Criminal de Santo André. A ação integra as operações “Latus Actio” e “Latus Actio II”, deflagradas pela Polícia Federal em 2024 após a identificação de um esquema criminoso instalado na própria corporação para arrecadação de propinas.
Segundo o MPSP, os policiais criavam investigações formais com o objetivo de extorquir os investigados, especialmente em casos envolvendo jogos ilegais e estelionato. Entre as vítimas citadas estão também MC Paiva, MC Brisola, MC GHdo7 e Biel Grau. MC Brisola teria sido pressionado a pagar R$ 200 mil para arquivar uma investigação, mas acabou entregando R$ 20 mil em propina.
A operação foi conduzida pela Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado (Ficco/SP), formada pela Polícia Federal e diversas secretarias estaduais de segurança pública e administração penitenciária.
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