Documento afirma que sistema de proteção contra gelo estava inoperante e que a aeronave foi liberada para voo em desacordo com os requisitos operacionais

Julio Cezar Souza Publicado em 24/07/2026, às 08h47
O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, em agosto de 2024, não deveria ter sido autorizado a decolar nas condições em que operava. Segundo a investigação, a aeronave apresentava falha no sistema de proteção contra formação de gelo, equipamento considerado essencial para voos sujeitos a esse tipo de condição meteorológica.
O ATR-72, de matrícula PS-VPB, fazia o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando encontrou condições severas para formação de gelo durante o voo de cruzeiro. O acúmulo de gelo comprometeu o desempenho da aeronave, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e a queda sobre uma área residencial de Vinhedo. O acidente deixou 62 mortos, entre 58 passageiros e quatro tripulantes.
De acordo com o Cenipa, o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção das superfícies da aeronave contra o gelo, estava inoperante antes mesmo da decolagem. Nessas circunstâncias, caso houvesse possibilidade de formação de gelo durante a rota, o voo não poderia ter sido despachado. Ainda assim, a investigação concluiu que a aeronave foi liberada para operar em desacordo com os requisitos estabelecidos para esse tipo de situação.
Além das falhas no despacho da aeronave, o relatório aponta que a tripulação demorou a reconhecer a degradação do desempenho causada pelo acúmulo de gelo. Segundo os investigadores, os pilotos não executaram em tempo hábil os procedimentos previstos pelo fabricante para deixar a área de formação severa de gelo e preservar a velocidade mínima de segurança da aeronave.
O documento ressalta, entretanto, que ambos os pilotos possuíam habilitação válida e haviam recebido treinamento específico para operações em condições de gelo e para procedimentos de recuperação de perda de controle.
A investigação também identificou problemas relacionados à cultura de segurança operacional da Voepass. A análise de mais de 1.200 voos da aeronave revelou ocorrências anteriores envolvendo degradação de desempenho, falhas no sistema de degelo, reinicializações frequentes do Airframe De-Icing e alertas que, segundo o relatório, não receberam o tratamento adequado pelas tripulações.
Após a divulgação do relatório, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que iniciará uma análise técnica detalhada das conclusões e das recomendações relacionadas às suas atribuições. O órgão destacou que as investigações conduzidas pelo Cenipa possuem caráter exclusivamente preventivo e não têm como finalidade atribuir culpa ou responsabilização, mas identificar fatores contribuintes e aperfeiçoar a segurança da aviação civil.
Em nota, a Voepass afirmou que colaborou de forma transparente com as investigações desde o acidente e reiterou solidariedade às famílias das vítimas. A companhia destacou que, em mais de 30 anos de operação, nunca havia enfrentado uma tragédia semelhante e afirmou que sempre adotou procedimentos voltados à segurança operacional, à capacitação e à orientação de suas tripulações.
Leia também

Honor prepara celular com câmera robótica que segue pessoas e gira quase 360 graus

O fim da Ordem Mundial: 2026 e o retorno do "cada um por si"

VÍDEOS polêmicos de MC Pipokinha em site pornô horrorizam internautas

Yuri Alberto brilha, Corinthians goleia o Remo e fecha primeiro turno em alta

Suspeito morre após tentar roubar motocicleta de PM na Rua Augusta

Cenipa conclui que avião da Voepass não deveria ter decolado antes de acidente em Vinhedo

Uber vai de carona na garupa da Justiça e a cruzada contra as BETs chega à São Paulo

Liquid Glass: a nova aparência do iPhone que parece feita de vidro

Yuri Alberto brilha, Corinthians goleia o Remo e fecha primeiro turno em alta

Publicidade Legal - 24-07-2026