Unidade de Belo Horizonte remove redes sociais e cresce a incerteza sobre continuidade das atividades, no contexto das prisões e investigações que envolvem o pastor e cunhado do empresário Daniel Vorcaro.

Ana Beatriz Publicado em 18/03/2026, às 23h36
A Igreja Batista da Lagoinha enfrenta uma crise após a exclusão de perfis nas redes sociais da unidade Belvedere, em Belo Horizonte, levantando especulações sobre seu fechamento em meio a investigações que resultaram na prisão do ex-pastor Fabiano Zettel, vinculado à Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
A remoção do conteúdo digital surpreendeu os fiéis e ocorreu em um contexto de apurações sobre irregularidades no Banco Master, que levou a ações penais e prisões, afetando a imagem da igreja, uma das maiores denominações evangélicas do Brasil.
Apesar da exclusão nas redes sociais, o CNPJ da unidade permanece ativo e não há registro formal de encerramento das atividades, enquanto as investigações sobre Zettel e sua ligação com o escândalo financeiro continuam, gerando incertezas entre os membros da congregação.
A Igreja Batista da Lagoinha enfrenta um momento de forte turbulência após o apagamento de perfis nas redes sociais da sua unidade Belvedere, em Belo Horizonte, gerando especulações sobre o possível fechamento da igreja em meio ao avanço das investigações que desencadearam a prisão do ex‑pastor voluntário Fabiano Zettel, cunhado do empresário Daniel Vorcaro, principal alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal.
A retirada de todo o conteúdo digital da filial ocorreu no início da semana e surpreendeu fiéis e frequentadores, que perceberam não apenas a exclusão de fotos e vídeos, mas também a remoção de perfis institucionais que vinham sendo usados para divulgar cultos e atividades comunitárias. Esse movimento ocorreu em meio à intensificação das apurações sobre supostas irregularidades no Banco Master — instituição que foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central após um rombo bilionário e que motivou ações penais e prisões pela Polícia Federal.
A unidade da Lagoinha Belvedere possui cerca de 16 mil metros quadrados e foi inaugurada em 2024 sob a coordenação de Zettel, que se destacava como líder local e era uma figura presente nas atividades da congregação. O templo, situado na região Centro‑Sul da capital mineira, chegou a ser ponto de encontro de membros ligados à igreja e à comunidade evangélica da cidade.
Apesar do apagamento nas redes sociais, o CNPJ da unidade permanece ativo nos registros da Receita Federal, com Zettel ainda vinculado formalmente como presidente da pessoa jurídica desde sua abertura em 19 de setembro de 2024. Não há, até o momento, registro público de encerramento formal das atividades ou da alteração na administração da igreja junto aos órgãos competentes.
O movimento ocorre dias depois de Zettel ter sua prisão preventiva decretada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostos crimes como lavagem de dinheiro, corrupção, invasão de sistemas e comercialização irregular de ativos. O ex‑pastor já havia sido alvo de uma detenção temporária em janeiro de 2026, quando se preparava para embarcar com destino ao exterior, e acabou sendo alvo de nova ordem de prisão em março deste ano.
Zettel ocupava, até seu afastamento em novembro de 2025, funções voluntárias na unidade Belvedere e participava ativamente das rotinas de culto e aconselhamento de fiéis, segundo registros em mídias sociais e relatos de frequentadores. A igreja, por meio de notas anteriores, havia informado que sua saída ocorreu no momento em que as primeiras suspeitas públicas sobre sua ligação com as investigações vieram à tona, ressaltando que ele não exercia atividades ministeriais formais desde então.
A ausência de comunicados oficiais sobre o destino da unidade Belvedere e a exclusão do conteúdo digital levou a um clima de incerteza entre membros da congregação, que questionam se a medida se trata de uma estratégia de “desvinculação institucional” em meio às apurações ou do efetivo encerramento das atividades da igreja.
Autoridades federais e estaduais continuam as investigações sobre a atuação de Zettel, que, além de seu vínculo com Vorcaro pelo casamento com Natália Vorcaro Zettel, irmã do banqueiro, é citado nas apurações por suposto papel na coordenação de pagamentos e de um núcleo de intimidação contra adversários da organização investigada.
A Lagoinha é uma das maiores denominações evangélicas do Brasil, com presença nacional e internacional, mas se viu envolvida involuntariamente na repercussão do escândalo financeiro após a prisão do ex‑pastor e a consequente associação de seu nome ao caso Master. A liderança global da igreja, incluindo figuras como o cantor e pastor André Valadão, já havia manifestado apoio à trajetória de Zettel antes das investigações se intensificarem.
Até o momento, não houve confirmação oficial por parte da igreja sobre o fechamento da unidade Belvedere ou sobre planos de reestruturação das atividades presenciais ou online da congregação. A reportagem aguarda posicionamento da direção nacional da Lagoinha sobre o assunto.
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