Alckmin e secretário estadual formalizam financiamento com garantia da União para obra que demanda R$ 6,8 bi e será entregue em 2030

Erika Osti Publicado em 13/04/2026, às 19h29
O Banco do Brasil formalizou nesta segunda-feira (13) a concessão de crédito que garante a participação do governo de São Paulo na construção do túnel Santos-Guarujá, um dos maiores projetos de infraestrutura do país. A operação, com garantia da União, assegura os recursos necessários para o estado integrar a parceria público-privada responsável pela obra, considerada estratégica para a mobilidade e a logística portuária na Baixada Santista.
O financiamento, de cerca de R$ 2,5 bilhões, faz parte de um investimento total estimado em R$ 6,8 bilhões. O projeto reúne recursos do governo federal, do governo paulista e da iniciativa privada. A União deve aportar aproximadamente R$ 2,7 bilhões, enquanto a concessionária responsável pela obra investirá cerca de R$ 1,6 bilhão. O contrato prevê prazo de 23 anos para pagamento, com juros atrelados ao CDI acrescido de cerca de 1,5% ao ano.
A assinatura do acordo ocorreu em São Paulo, com a presença de autoridades como o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro da Fazenda, Dario Durigan. O secretário estadual da Fazenda, Samuel Kinoshita, representou o governo paulista no evento e destacou que as condições do financiamento são atrativas e fundamentais para viabilizar a obra.
Considerado uma demanda histórica da região, o túnel será o primeiro do tipo imerso na América Latina. A estrutura terá cerca de 1,5 quilômetro de extensão, sendo aproximadamente 870 metros submersos sob o canal do Porto de Santos. A travessia permitirá a circulação de veículos, pedestres e transporte público, incluindo VLT, reduzindo significativamente o tempo de deslocamento entre Santos e Guarujá.
Atualmente, a ligação entre as duas cidades depende principalmente de balsas ou de um trajeto rodoviário mais longo, o que gera congestionamentos frequentes. Com o túnel, a expectativa é que a travessia seja feita em poucos minutos, beneficiando diretamente mais de 2 milhões de moradores da região, além de melhorar o escoamento de cargas no maior porto da América Latina.
O projeto será executado por meio de uma parceria público-privada, com concessão de 30 anos. A empresa responsável, vencedora do leilão realizado em 2025, ficará encarregada da construção, operação e manutenção do túnel. A obra integra o Novo PAC e é apontada como o maior investimento individual do programa federal.
Apesar do avanço na formalização do financiamento, ainda há etapas em andamento. O repasse dos recursos federais depende de ajustes na governança do projeto, que estão sendo analisados pelo Tribunal de Contas da União. A expectativa é que essas pendências sejam resolvidas sem impacto no cronograma.
Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a previsão é que as obras comecem ainda em 2026, com prazo de execução de cerca de quatro anos. A entrega está prevista para o fim da década, consolidando uma mudança histórica na mobilidade da região e fortalecendo a infraestrutura logística do país.
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