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Infraestrutura

Governo de SP autoriza mais de R$ 6 bilhões em aditivos para rodovias e Linha 6-Laranja do Metrô

Pagamentos buscam recompor contratos afetados pela pandemia e por custos extras em obras; Artesp diz que medidas estavam previstas.

Projeto está entre os contratos que receberão aditivos bilionários autorizados pelo governo estadual - Imagem: CCR Autoban
Projeto está entre os contratos que receberão aditivos bilionários autorizados pelo governo estadual - Imagem: CCR Autoban

Ana Beatriz Publicado em 06/01/2026, às 08h25


O Governo de São Paulo vai desembolsar mais de R$ 6 bilhões em aditivos contratuais para concessionárias que administram rodovias estaduais e para a empresa responsável pela construção da Linha 6-Laranja do Metrô. Os valores têm como objetivo recompor desequilíbrios econômico-financeiros nos contratos, atribuídos principalmente aos impactos da pandemia de Covid-19 e a imprevistos técnicos durante obras.

Ao longo do mês de dezembro, mais de dez concessionárias tiveram aditivos analisados e autorizados pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Desse total, ao menos R$ 2,5 bilhões serão destinados a empresas que operam rodovias paulistas.

Entre os contratos contemplados está o da Autoban, concessionária do sistema Anhanguera-Bandeirantes, que receberá mais de R$ 786 milhões. Já a Ecovias, responsável pelo sistema Anchieta-Imigrantes, ficará com cerca de R$ 137 milhões. Segundo a Artesp, em todos os casos houve queda significativa na arrecadação de pedágios durante a pandemia, caracterizada como evento de força maior.

“O que aconteceu em 2020 foi considerado um caso fortuito ou de força maior, que, legalmente e por contrato, é um risco do Estado”, afirmou Diego Albert Zanatto, diretor da agência reguladora.

Linha 6-Laranja

Além das rodovias, o governo estadual autorizou um aditivo superior a R$ 3,6 bilhões, em valores corrigidos, à concessionária Linha Uni, responsável pela construção e futura operação da Linha 6-Laranja do Metrô. A empresa alegou dificuldades geológicas durante a escavação da estação Higienópolis-Mackenzie, o que teria gerado custos não previstos inicialmente.

A Artesp reconheceu novamente o desequilíbrio contratual e informou que, sem a recomposição, a obra poderia sofrer atraso de quase três anos. O governo decidiu assumir os custos do problema de projeto e acelerar o cronograma. Segundo Zanatto, riscos geotécnicos fazem parte das responsabilidades do poder concedente quando as condições do solo diferem dos estudos originais.

Imagem: LinhaUni

Especialistas ouvidos avaliam que, mesmo em contratos de concessão, os serviços permanecem públicos, o que justifica a atuação do Estado. A professora Vera Monteiro, da FGV Direito SP, explica que a legislação prevê diferentes mecanismos de reequilíbrio. “O governo pode aumentar tarifa, estender o prazo da concessão ou realizar pagamento direto, como indenização”, disse.

A Linha 6-Laranja ligará a Zona Norte ao Centro da capital, contará com 15 estações subterrâneas e conexões com as linhas Azul, Amarela, Rubi e Diamante, com previsão de atender cerca de 630 mil passageiros por dia. O custo total estimado é de R$ 15 bilhões, sendo 47% financiados pelo governo estadual e o restante pela concessionária, controlada pelo grupo espanhol Acciona.

A previsão do governo paulista é entregar o primeiro trecho, entre Brasilândia e Perdizes, até outubro de 2026. A conclusão total da linha está prevista para o fim de 2027.


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