Após quase cem anos de debates, o projeto do Túnel Santos–Guarujá avança nesta quarta-feira (28) com a assinatura do contrato pelo governo paulista

William Oliveira Publicado em 28/01/2026, às 07h00
O governo do estado de São Paulo realizará, nesta quarta-feira (28), uma cerimônia no Palácio dos Bandeirantes para a assinatura do contrato que marca o início da construção do Túnel Santos–Guarujá, o primeiro túnel submerso do Brasil.
A obra será executada por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) firmada com o grupo português Mota-Engil e prevê um investimento estimado em R$ 7 bilhões.
Com a nova infraestrutura, o tempo de travessia entre Santos e Guarujá será reduzido para cerca de cinco minutos. Atualmente, o trajeto rodoviário entre os dois municípios tem aproximadamente 40 quilômetros e pode levar até uma hora, dependendo das condições de tráfego.
Segundo o governador Tarcísio de Freitas, a conclusão do túnel está prevista para 2031. A estrutura deverá beneficiar cerca de 2 milhões de moradores da Baixada Santista. A proposta de interligação seca entre as duas cidades é discutida há quase cem anos.
“A ligação seca entre Santos e Guarujá é um sonho há cem anos e que finalmente está saindo do papel. Era mais um projeto desacreditado e que parecia impossível, mas nossa gestão teve a coragem para transformar em realidade”, afirmou o governador durante o anúncio.
O projeto prevê a construção de um túnel com 870 metros de extensão sob o canal do porto, com três faixas de rolamento em cada sentido, além de passagens para pedestres e ciclistas e uma galeria técnica de serviços. O contrato terá vigência de 30 anos e engloba as etapas de construção, operação e manutenção da infraestrutura.
Com a assinatura do contrato, o projeto entra agora na fase preparatória, que inclui a definição da área para a fabricação dos módulos de concreto que formarão a estrutura submersa do túnel.
Confira o cronograma:
A expectativa é de que as obras gerem cerca de 9 mil empregos diretos e indiretos na região.
A Mota-Engil venceu o leilão realizado na B3, em setembro de 2025, ao apresentar um desconto de 0,5% sobre o valor máximo da contraprestação pública anual, fixado em R$ 438,3 milhões.
A licença ambiental prévia foi concedida pela CETESB após análise dos impactos sobre os manguezais, fauna, flora, níveis de ruído e desapropriações necessárias. O órgão ambiental estabeleceu condicionantes que deverão ser cumpridas nas próximas etapas do licenciamento.
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