Matheus Pinto disse à polícia que donos da clínica ajudaram a conter Jarmo Santana, que estava 'surtado'

por Marina Milani
Publicado em 10/07/2024, às 16h44
Matheus de Camargo Pinto, funcionário de uma clínica particular de reabilitação para dependentes químicos, confessou à Polícia Civil que torturou e matou Jarmo Celestino de Santana, de 55 anos, em Cotia, na Grande São Paulo. Matheus, de 24 anos, afirmou que não estava sozinho nas agressões e que outros indivíduos participaram do crime.
A reportagem teve acesso ao depoimento de Matheus na Delegacia Central de Cotia. O caso ganhou repercussão após a divulgação de um vídeo em que Jarmo aparece com as mãos amarradas, sentado em uma cadeira dentro da clínica Comunidade Terapêutica Efata. No vídeo, ao menos quatro pessoas aparecem rindo da situação. Matheus também enviou uma mensagem de voz confirmando as agressões, que viralizou nas redes sociais.
"Eu cobri no cacete, cobri... chegou aqui na unidade... pagar de brabo... cobri no pau. Tô com a mão toda inchada", diz Matheus na gravação, conforme informado pela delegacia que investiga o caso.
Segundo Matheus, os agentes que levaram Jarmo à clínica o agrediram durante o trajeto. O paciente foi amarrado ainda na casa onde morava com a mãe. A família decidiu pela internação compulsória devido ao uso de drogas e episódios de violência doméstica. A escolha da clínica foi feita pela internet.
"Os próprios agentes que removeram Jarmo o agrediram no momento de deixá-lo na clínica", revela um trecho do interrogatório de Matheus.
Matheus afirmou que Jarmo chegou "transtornado psicologicamente" à clínica e que os donos do estabelecimento, Cleber Fabiano da Silva e Terezinha de Cássia de Souza Lopes da Conceição, ajudaram a conter o paciente na noite de sexta-feira (5). O funcionário relatou que foi necessário o uso de força e que Jarmo foi "arremessado ao solo". Matheus, que é ex-dependente químico e estava na clínica havia apenas duas semanas, segurou os braços de Jarmo, enquanto Cleber segurou seus joelhos e Terezinha a cintura.
A defesa de Cleber e Terezinha afirmou ao g1 que seus clientes não estavam na clínica durante as agressões, pois estavam de folga, e só souberam dos fatos pela polícia.
No sábado (6), Jarmo acordou "surtado", tentando agredir outros internos. Matheus disse ter entrado em "luta corporal" com ele e, ao longo do dia, ele e outros dois monitores imobilizaram Jarmo após este começar a quebrar objetos no quarto. As agressões se intensificaram, incluindo a aplicação de um golpe de "mata-leão".
Após a série de agressões, o quarto foi limpo e a clínica tentou transferir Jarmo para outra unidade. No domingo (7), ao dar café para Jarmo, Matheus deslocou o ombro do paciente ao puxar seu braço, levando-o ao Pronto-Socorro de Vargem Grande Paulista, onde foi medicado e retornou à clínica.
Na segunda-feira (8), Matheus encontrou Jarmo caído no chão ao levar o almoço. Ao tocá-lo, percebeu que Jarmo não respondia. Ele foi levado novamente ao hospital em Vargem Grande Paulista, onde sua morte foi confirmada. Médicos identificaram lesões compatíveis com agressões físicas.
A Polícia Civil segue investigando o caso e os envolvidos. Matheus foi preso e outras prisões podem ocorrer conforme as investigações avançam. O caso chocou a comunidade e levantou questões sobre a regulamentação e supervisão de clínicas de reabilitação.
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