Fernando Henrique Dardis, acusado de matar pacientes e forjar a própria morte, tem histórico de crimes e é investigado por mais fraudes

Marina Roveda Publicado em 23/06/2025, às 18h52
Fernando Henrique Dardis, o falso médico que está foragido e é acusado de ter matado duas pacientes em Sorocaba (SP), acumula um histórico de crimes. Além das acusações mais recentes, ele já havia sido condenado em 2012 por portar ilegalmente munição e carregar itens restritos de uso policial, como distintivo da Polícia Civil e algemas.
Na época, em 2009, Fernando ainda usava o sobrenome Guerreiro. Ele foi flagrado pela Polícia Militar em Guarulhos com uma mochila no carro contendo insígnia policial, algemas, 23 munições calibre .380, dois carregadores, um revólver de pressão e projéteis ("chumbinhos"). Alegou que havia encontrado o material e pretendia entregá-lo à delegacia — versão que o Ministério Público considerou inverossímil, já que antes de ir ao distrito, ele passou por uma casa noturna e uma comunidade. A condenação foi de dois anos em regime aberto, substituída por prestação de serviços e restrições nos fins de semana.
Falsificação, mortes e fuga
Em 2011, Fernando deixou Guarulhos e passou a atuar como falso médico na Santa Casa de Sorocaba, usando diploma fraudado. Entre suas vítimas estão Helena Rodrigues e Therezinha Monticelli Calvim, que morreram após serem atendidas por ele. Helena sofreu um infarto após medicação prescrita; Therezinha faleceu na UTI por falhas no encaminhamento clínico. Ao todo, mais de 20 vítimas ou familiares procuraram o Ministério Público para denunciar lesões ou mortes atribuídas ao falso profissional.
O caso se agravou em janeiro de 2025, quando a defesa de Fernando apresentou um atestado de óbito afirmando que ele havia morrido e sido sepultado em Guarulhos. A farsa foi desmascarada quando o próprio Fernando tentou atualizar um documento em cartório. A Justiça decretou sua prisão preventiva em maio, e ele é considerado foragido desde então. Há suspeita de que policiais estejam ajudando a escondê-lo.
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) poderá atuar no caso, diante de indícios de participação de outras pessoas nas fraudes, incluindo supostas irregularidades em hospital da família, que teriam o objetivo de evitar indenizações. A empresa Med-Tour, ligada à família de Fernando, negou envolvimento em qualquer crime.
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