Comentários feitos ao vivo no SBT após eleição da deputada para a Comissão da Mulher provocaram repercussão nacional, críticas nas redes sociais e resposta institucional da emissora.

Ana Beatriz Publicado em 12/03/2026, às 16h09
Uma declaração do apresentador Ratinho sobre a deputada Erika Hilton gerou intensa repercussão política e social, especialmente após seus comentários sobre a identidade de gênero da parlamentar, que preside a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Ratinho questionou a legitimidade de Erika Hilton como mulher, o que provocou reações polarizadas nas redes sociais, refletindo um debate mais amplo sobre identidade de gênero e representatividade política no Brasil.
Em resposta, Erika Hilton acionou o Ministério Público de São Paulo por transfobia, enquanto o SBT emitiu uma nota repudiando as declarações do apresentador e afirmando que o caso será analisado internamente.
Uma declaração do apresentador Ratinho durante seu programa no SBT provocou forte repercussão política e social após comentários feitos sobre a deputada federal Erika Hilton, uma das principais lideranças trans no Congresso Nacional. A fala ocorreu quando o apresentador comentava a eleição da parlamentar para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, fato que gerou debate dentro e fora do meio político.
Durante o programa, Ratinho questionou a presença de Erika Hilton no comando do colegiado e afirmou que, na sua visão, ela não deveria ser considerada mulher. O apresentador disse que, para ser mulher, seria necessário possuir determinadas características biológicas e sugeriu que a presidência da comissão deveria ser ocupada por alguém que, segundo ele, se encaixasse nessa definição. As declarações foram feitas ao vivo e rapidamente repercutiram nas redes sociais, provocando reações divergentes entre internautas e figuras públicas.
A deputada Erika Hilton reagiu às declarações e anunciou que acionou o Ministério Público de São Paulo para que o caso seja analisado. A parlamentar afirmou que as falas configuram transfobia e que representam uma ofensa coletiva contra mulheres trans. No Brasil, decisões do Supremo Tribunal Federal equiparam a transfobia ao crime de racismo, o que pode gerar responsabilização criminal em situações de discriminação baseada em identidade de gênero.
O episódio ampliou o debate político nas redes sociais e no meio institucional. Parte do público criticou as declarações do apresentador e classificou o comentário como discriminatório, enquanto outros defenderam que se trataria de uma opinião pessoal. A discussão também se intensificou porque Erika Hilton se tornou a primeira mulher trans a presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, fato considerado por movimentos sociais como um marco de representatividade política.
Após a repercussão do caso, o SBT divulgou uma nota oficial informando que repudia qualquer forma de discriminação e afirmou que as declarações feitas pelo apresentador não representam a posição institucional da emissora. O comunicado destacou ainda que o episódio seria analisado internamente pela direção do canal.
A polêmica reacendeu um debate mais amplo sobre identidade de gênero, representatividade política e liberdade de expressão no país. Especialistas e ativistas apontam que discussões como essa evidenciam a polarização existente no Brasil sobre temas ligados aos direitos da população LGBTQIA+. O caso segue repercutindo no meio político e pode ter novos desdobramentos jurídicos após o pedido de investigação apresentado pela deputada.
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