Com 2.593 casos de estupro de vulnerável, a maioria das vítimas são crianças e adolescentes, destacando a gravidade da situação na capital paulista

William Oliveira Publicado em 02/06/2025, às 09h12
Os casos de estupro na Grande São Paulo cresceram de forma alarmante no primeiro trimestre de 2025. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), a Região Metropolitana — que inclui os 39 municípios do entorno da capital — registrou um aumento de 28% nas ocorrências em comparação ao mesmo período de 2024.
Na cidade de São Paulo, o crescimento foi de 15%, enquanto em todo o estado, o aumento foi de 13%. Entre janeiro e março deste ano, a Região Metropolitana passou de 641 para 822 casos. Em todo o estado, foram registrados 3.862 casos no período, sendo 815 apenas na capital.
Do total registrado em São Paulo, 2.593 casos foram classificados como estupro de vulnerável — envolvendo vítimas como crianças, adolescentes ou pessoas com deficiência — o que representa 76% das ocorrências.
O analista criminal Guaracy Mingardi, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ressalta que o aumento nos números pode refletir não apenas uma alta na prática dos crimes, mas também uma maior disposição das vítimas em denunciar. “Esse tipo de crime não é como o homicídio, por exemplo, que aparece um corpo e você sabe que morreu alguém. Esse é um crime que precisa que a vítima fale. Se a vítima ou alguém próximo a ela não denunciar, ninguém vai ficar sabendo. Logo, não vai ter registro”, explica.
Mingardi defende a ampliação de canais acessíveis para denúncia e o investimento em acolhimento humanizado. “É necessário que se crie um órgão dentro da estrutura da Polícia Civil que se especialize na investigação do crime de estupro, assim como há os especializados em investigação de homicídio, roubo, tráfico de drogas. Para qualquer um desses crimes, há um órgão ou todo um departamento da polícia especializado. Já para o estupro, não há. Para tratar desses tipos de casos, tem que ter agentes especializados”, completa.
O especialista também defende uma polícia comunitária, com presença ativa nos bairros, para que vítimas confiem nas autoridades locais. “A vítima tem que saber que aquele policial é da área e que ele vai levar aquele trabalho adiante”, afirma.
Em nota, a SSP informou que trabalha para reduzir a subnotificação e ampliar a rede de acolhimento às vítimas. O estado conta com 141 Delegacias de Defesa da Mulher e 162 salas especializadas com equipes treinadas para lidar com violência de gênero.
Entre as iniciativas recentes estão a Cabine Lilás, um espaço reservado para o acolhimento sigiloso das vítimas, o aplicativo SP Mulher Segura, que permite pedidos imediatos de socorro, e o registro digital de boletins de ocorrência.
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