Estupro coletivo de crianças na zona leste de SP é desvendado após vídeo nas redes

Letícia Sales Publicado em 04/05/2026, às 09h14
Um caso de extrema violência chocou a zona leste de São Paulo após vir à tona por meio de um vídeo que circulava nas redes sociais. Duas crianças, de 7 e 10 anos, foram vítimas de estupro coletivo no dia 21 de abril, mas o crime só chegou ao conhecimento da Polícia Civil três dias depois, quando a irmã de uma das vítimas reconheceu o menino nas imagens e procurou as autoridades.
De acordo com a delegada responsável pelo caso, Janaina da Silva Dziadowczyk, do 63º Distrito Policial, a denunciante não vivia mais com a família, o que dificultou a obtenção de informações iniciais. Ainda assim, o reconhecimento foi crucial para o início das investigações.
As imagens, que passaram a circular em aplicativos de mensagens e redes sociais, mostram os abusadores debochando do desespero das crianças. Em um dos trechos, uma das vítimas é agredida com tapas na cabeça, o que agravou ainda mais a gravidade do caso.
Pressão e silêncio na comunidade
Durante a apuração, a polícia encontrou resistência dentro da própria comunidade onde o crime ocorreu. Segundo a delegada, familiares das vítimas foram pressionados por moradores a não levarem o caso às autoridades, com a justificativa de que a situação deveria ser “resolvida internamente”.
Com medo de represálias e da repercussão, os familiares deixaram suas casas às pressas, levando apenas o essencial. Apesar disso, em três dias, a polícia conseguiu reunir depoimentos fundamentais para o avanço das investigações.
Prisões e buscas por suspeito
Até o momento, quatro envolvidos foram detidos: três adolescentes e um adulto, identificado como Alessandro Martins dos Santos. Um quinto suspeito, menor de idade, segue foragido.
Dois dos adolescentes se apresentaram acompanhados dos pais na delegacia, enquanto outro foi localizado em Jundiaí. Já o único adulto envolvido foi preso na Bahia e deve ser transferido para São Paulo.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, há negociações em andamento com a família do adolescente foragido para que ele se entregue. A expectativa das autoridades é de que isso ocorra em breve. Todos os detidos confessaram participação no crime.
Disseminação das imagens também será investigada
A polícia agora concentra esforços em identificar quem compartilhou os vídeos dos abusos. As investigações apontam que o adulto preso foi responsável por filmar o crime e enviar as imagens via WhatsApp, o que deu início à disseminação.
As autoridades alertam que compartilhar esse tipo de conteúdo também configura crime, mesmo quando há a intenção de denunciar ou gerar indignação. Além disso, pessoas que intimidaram ou ameaçaram as famílias das vítimas também poderão ser responsabilizadas.
O caso segue em investigação.
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