O caso foi registrado como dano ao patrimônio público e lesão corporal, levantando questões sobre racismo nas abordagens

Redação Publicado em 26/08/2025, às 18h38
Um incidente alarmante ocorreu na noite de domingo (24) na estação José Bonifácio, pertencente à Linha 11-Coral da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), onde um jovem de 22 anos foi agredido por agentes de segurança após tentar acessar o local sem pagar a passagem.
O jovem, identificado como Matheus Dias, relatou ao portal G1 que voltava de uma batalha de rap em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, quando decidiu pular a catraca. Segundo ele, foi então que um dos seguranças desferiu um soco em seu rosto e o expulsou da estação. Posteriormente, amigos do artista pagaram sua passagem para que ele pudesse continuar sua jornada.
"Ao retornar às catracas, procurei saber quem havia me agredido. Os funcionários não deram resposta. Indignado, subi as escadas rolantes e acabei retirando um mapa da estação que estava mal fixado", explicou Dias. A partir desse ato, a situação se agravou quando os seguranças o acusaram de vandalismo e tentaram imobilizá-lo, levando-o a se defender e evitar a abordagem.
As imagens do confronto mostram um dos seguranças tentando derrubar Matheus enquanto ele afirmava não estar reagindo à agressão inicial. "Seu parceiro me deu um soco no olho!", gritou o jovem, enquanto lutava para não ser imobilizado. Após uma série de tentativas e resistências, um dos agentes conseguiu finalmente controlar Matheus ao imobilizá-lo no chão, resultando em ferimentos visíveis, incluindo a perda de um dente.
Em meio ao tumulto, Matheus descreveu sua luta pela liberdade: "Em uma tentativa desesperada de escapar, acabei mordendo a mão do segurança. Eles estavam aplicando muita força sobre mim". O jovem disse ainda que se sentiu impotente diante da situação e expressou sua indignação sobre as abordagens agressivas que frequentemente enfrentam pessoas como ele.

A CPTM divulgou uma nota defendendo a ação dos seguranças, alegando que Matheus não apenas praticou evasão tarifária como também proferiu ofensas e causou danos ao patrimônio público. A companhia informou que está investigando as circunstâncias do ocorrido e que qualquer irregularidade na conduta dos colaboradores será apurada.
A Secretaria da Segurança Pública confirmou que o caso foi registrado no 63º Distrito Policial como dano ao patrimônio público e lesão corporal. Tanto Matheus quanto o agente de segurança foram levados ao pronto-socorro para atendimento médico e prestaram depoimentos.
O advogado Thiago Feliciano Lopes, que representa Matheus, criticou a resposta desproporcional dos seguranças. "Não justifica um soco no rosto pelo ato de evasão tarifária", afirmou Lopes, destacando também preocupações sobre racismo institucional nas abordagens realizadas por agentes de segurança contra jovens negros.
Lopes revelou planos para processar a CPTM em ações cíveis e criminais devido ao incidente. Ele acompanhará o caso até suas últimas consequências legais.
A CPTM reafirmou seu compromisso em repudir qualquer forma de violência e garantir que investigações sejam conduzidas com rigor. Imagens do sistema de segurança serão disponibilizadas às autoridades conforme necessário.
Este episódio levanta questões cruciais sobre os métodos utilizados por agentes de segurança em espaços públicos e a necessidade urgente de revisar protocolos para prevenir abusos semelhantes no futuro.
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