Diário de São Paulo
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Escalada patrimonial

Compras milionárias à vista colocam Vorcaro no radar e levantam suspeitas no mercado financeiro

Ex-controlador do Banco Master adquiriu três jatos executivos por cerca de R$ 260 milhões sem financiamento, prática considerada atípica e que amplia questionamentos em meio a investigações.

Um dos jatos adquiridos por Vorcaro foi apreendido durante operação que investiga fraudes financeiras - Imagem: Reprodução
Um dos jatos adquiridos por Vorcaro foi apreendido durante operação que investiga fraudes financeiras - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 28/03/2026, às 12h48


Daniel Vorcaro, empresário envolvido em investigações relacionadas ao Banco Master, chamou atenção ao comprar três jatos executivos à vista, totalizando cerca de R$ 260 milhões, prática incomum no setor de aviação de alto padrão.

As aquisições, que incluem um Gulfstream de R$ 120 milhões e um Dassault Falcon 7X de R$ 117 milhões, foram realizadas sem financiamento, o que levanta suspeitas sobre estratégias financeiras não convencionais e possíveis tentativas de proteção patrimonial.

As aeronaves foram incorporadas a uma empresa ligada a Vorcaro e chegaram a ser alvo de bloqueio judicial, enquanto as investigações da Polícia Federal continuam, aumentando o escrutínio sobre suas operações financeiras e a governança empresarial.

As movimentações financeiras do empresário Daniel Vorcaro voltaram ao centro das atenções após a revelação de que ele adquiriu três jatos executivos à vista, entre 2022 e 2024, por um valor total aproximado de R$ 260 milhões. As compras, incomuns no mercado de aviação de alto padrão, ocorrem em paralelo a investigações que envolvem o ex-controlador do Banco Master.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil indicam que todas as aquisições foram feitas sem qualquer tipo de financiamento, prática considerada rara no setor.

Entre os modelos adquiridos estão aeronaves de grande porte, incluindo um Gulfstream avaliado em cerca de R$ 120 milhões, um Dassault Falcon 7X de aproximadamente R$ 117 milhões e um Falcon 2000 comprado por pouco mais de R$ 21 milhões.

Prática fora do padrão do mercado

Especialistas apontam que o pagamento integral à vista nesse tipo de operação foge da lógica financeira adotada globalmente. O setor costuma operar com financiamento ou leasing, aproveitando taxas internacionais consideradas baixas, geralmente entre 6% e 8% ao ano.

Segundo analistas ouvidos em reportagens, abrir mão desse tipo de crédito pode indicar estratégias fora do padrão, incluindo possíveis tentativas de reorganização ou proteção patrimonial.

Ligação com investigações

As compras também ganham peso por ocorrerem em meio ao avanço de investigações conduzidas pela Polícia Federal envolvendo o Banco Master e operações financeiras suspeitas.

Um dos jatos, inclusive, foi apreendido durante a Operação Compliance Zero, quando Vorcaro foi detido ao tentar embarcar para o exterior.

Além disso, os três aviões chegaram a ser alvo de bloqueio judicial, reforçando o escrutínio sobre o patrimônio do empresário.

Estrutura societária e movimentações

As aeronaves foram incorporadas à frota de uma empresa ligada a Vorcaro, o que também levanta questionamentos sobre a estrutura de aquisição e gestão dos ativos.

Antes da crise envolvendo o Banco Master, o empresário chegou a negociar participação em empresas relacionadas à sua holding, o que ampliou a complexidade das operações financeiras analisadas pelas autoridades.

Impacto e repercussão

A revelação reforça o nível de exposição do caso e amplia o debate sobre governança, transparência e uso de recursos em estruturas empresariais ligadas ao sistema financeiro.

Para especialistas, o padrão das aquisições não apenas chama atenção pelo valor elevado, mas principalmente pelo modelo adotado, considerado fora do comportamento usual de mercado.

O caso segue sob investigação e pode ter novos desdobramentos nos próximos meses.


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