Com 466 ônibus depredados, a onda de vandalismo gera medo entre motoristas e passageiros

Gabriela Thier Publicado em 16/07/2025, às 18h09
Na manhã desta quarta-feira (16), policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) informaram à TV Globo que a principal linha de investigação sobre os recentes ataques a ônibus na Grande São Paulo se concentra nas disputas entre empresas do setor de transporte urbano coletivo.
Essa hipótese ganhou relevância em comparação a outras linhas de investigação que estavam sendo analisadas, como a possível conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e desafios virtuais propostos por meio da internet.
As empresas afetadas pelos ataques enfrentam custos elevados de manutenção e multas impostas pela prefeitura devido à paralisação dos veículos atacados.
No dia 15 de agosto, ao menos 36 ônibus foram alvo de vandalismo em diversos locais da Grande São Paulo. Os incidentes ocorreram principalmente nas zonas Oeste e Sul da capital, além de cidades como Osasco, Itapevi e Cotia.
A Prefeitura de São Paulo e a SPTrans relataram que a capital foi o epicentro dos ataques, com 26 ônibus depredados. Um caso notável aconteceu na Avenida João Jorge Saad, no Morumbi, onde uma criança ficou ferida por estilhaços de vidro durante um ataque.
Desde o início da onda de vandalismo, em 12 de junho, um total de 466 veículos do sistema municipal foram depredados, gerando um clima de medo entre motoristas e passageiros. Os ataques, que inicialmente eram mais frequentes durante a noite, agora ocorrem em qualquer hora do dia.
Um dos episódios mais alarmantes aconteceu na Zona Sul, onde uma passageira sofreu fraturas faciais graves após ser atingida por uma pedra durante um ataque.
No sistema intermunicipal, foram registrados 289 casos de vandalismo desde junho, abrangendo 27 municípios na Região Metropolitana.
No último domingo (13), São Paulo contabilizou 47 ataques, marcando o segundo dia mais violento desde o início dessa série de depredações. O dia mais crítico ocorreu em 7 de julho, com 59 incidentes reportados.
A investigação policial sugere também um fenômeno de "contaminação", no qual indivíduos não relacionados diretamente ao setor de transporte público teriam se envolvido nos atos de vandalismo. Até o momento, oito suspeitos foram detidos.
Por meio de nota, a SPTranssolicitou às concessionárias que relatem todos os ataques à central de operações e formalizem as ocorrências junto às autoridades competentes.
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