Mais de 100 venezuelanos estão detidos em El Salvador, com risco de violações de direitos humanos

Gabriela Thier Publicado em 13/05/2025, às 16h16
De acordo com informações recentes divulgadas pelas Nações Unidas, mais de 100 venezuelanos deportados dos Estados Unidos estão atualmente detidos em um centro de segurança máxima em El Salvador. Essas pessoas estão sujeitas a possíveis violações de direitos humanos, conforme relatado por Volker Turk, chefe de direitos humanos da ONU, em um comunicado na terça-feira (13).
O destino de pelo menos 245 outros venezuelanos e cerca de 30 salvadorenhos, que também foram enviados ao país durante a polêmica campanha de deportação do presidente Donald Trump, permanece incerto. O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) expressou preocupação com essa situação.
Até o momento, as autoridades dos Estados Unidos e de El Salvador não se pronunciaram sobre o assunto quando questionadas pela Reuters.
Trump utilizou a Lei de Inimigos Estrangeiros de 1798 para realizar deportações aceleradas de indivíduos suspeitos de envolvimento com gangues criminosas, como o Tren de Aragua da Venezuela, classificado por seu governo como um grupo terrorista.
Dados oficiais indicam que entre 20 de janeiro e 29 de abril deste ano, aproximadamente 142 mil pessoas foram deportadas dos Estados Unidos, segundo informações do ACNUDH.
Relatos de familiares e advogados apontam que muitos dos deportados estão agora em condições severas no Centro de Confinamento de Terrorismo em El Salvador. O presidente Nayib Bukele ofereceu o espaço para encarcerar criminosos enviados pelos EUA, tratando-se de uma mega-prisão localizada longe das áreas urbanas, com capacidade para até 40 mil detentos.
Volker Turk expressou sérias preocupações relacionadas aos direitos fundamentais que são garantidos pelas leis internacionais e norte-americanas. Ele observou que os deportados ainda não conseguiram contestar sua detenção adequadamente.
Adicionalmente, Turk destacou que muitos dos indivíduos detidos nesse centro não foram informados previamente sobre a intenção das autoridades dos EUA de deportá-los para serem mantidos em um terceiro país, agravando ainda mais a gravidade da situação.
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