Multa e apreensão estão previstas para quem rodar sem documentação exigida

Erika Osti Publicado em 14/01/2026, às 14h14
As motos e scooters elétricas ganharam espaço nas ruas brasileiras nos últimos anos e, junto com a popularidade, surgiram muitas dúvidas sobre documentação e habilitação. Com o objetivo de aumentar a segurança e organizar a circulação desses veículos, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabeleceu regras mais claras que entraram em vigor no início de 2026.
A principal mudança é que scooters e ciclomotores elétricos que atingem até 50 km/h ou têm potência de até 4 kW passaram a ser tratados como qualquer outro veículo motorizado. Eles precisam ser registrados no Detran, com placa, licenciamento e pagamento de IPVA. Para conduzir, é obrigatório ter CNH na categoria A ou a ACC (Autorização para Conduzir Ciclomotor), além do uso de capacete. Quem circula sem documentação comete infração gravíssima, sujeita a multa de R$ 293,47 e retenção do veículo.
As bicicletas elétricas continuam com regras mais flexíveis, mas apenas quando não possuem acelerador. Nesse caso, são consideradas bicicletas comuns e não exigem placa nem habilitação. Se tiverem acelerador ou potência acima do limite, passam a ser classificadas como ciclomotores e entram nas mesmas exigências das motos elétricas.
Os patinetes também foram incluídos nas novas regras. Modelos simples seguem livres, mas os que ultrapassam 32 km/h ou têm potência superior a 1.000 W são considerados ciclomotores e precisam de emplacamento e habilitação. Essa medida busca evitar que veículos com desempenho próximo ao de uma moto circulem sem controle ou fiscalização.
Para emplacar uma moto elétrica, o proprietário deve procurar o Detran do estado com a nota fiscal do veículo, documento de identidade, CPF e comprovante de residência. O órgão realiza a vistoria, confere o número de chassi e emite o documento de registro. Depois disso, o veículo recebe a placa oficial, necessária para identificação e fiscalização.
O licenciamento é a autorização anual para que o veículo circule. Ele confirma que o registro está em dia e que não há pendências. Sem licenciamento, mesmo com placa, a moto elétrica não pode rodar. O IPVA, imposto sobre a propriedade de veículos, também é cobrado para motos elétricas. O valor varia de estado para estado e é calculado sobre o preço do veículo. Em alguns lugares, há descontos ou isenção parcial para veículos elétricos, mas isso depende da legislação local.
Quem ainda não tem habilitação pode optar pela CNH categoria A ou pela ACC. A CNH exige curso teórico e prático em autoescola, além de exames médico e psicológico, com custo médio entre R$ 1.500 e R$ 2.000. A ACC é voltada apenas para ciclomotores, tem carga horária menor e preço mais acessível, em torno de R$ 600 a R$ 800. Ambas têm validade de cinco anos, ou três anos para condutores acima de 65 anos.
Além da documentação, os ciclomotores precisam estar equipados com espelhos retrovisores, pneus em boas condições, farol dianteiro branco ou amarelo, lanterna traseira vermelha, velocímetro, buzina e dispositivo de controle de ruído. O uso de capacete é obrigatório para todos os condutores e passageiros.
De acordo com o artigo 57 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ciclomotores não podem circular em vias de trânsito rápido ou em rodovias. Devem trafegar sempre à direita da pista de rolamento, preferencialmente no centro da faixa mais à direita ou no bordo direito da pista, quando não houver acostamento ou faixa própria. A circulação sobre calçadas é proibida, reforçando as regras de segurança para esse tipo de veículo.
Na prática, a regra é simples: se o veículo elétrico tem desempenho semelhante ao de uma moto, precisa de placa e CNH. Se for uma bicicleta elétrica sem acelerador, continua livre. A mudança encerra a chamada “zona cinzenta” que existia até então, quando muitos usuários não sabiam se estavam ou não dentro da lei. Além de trazer clareza, o governo espera reduzir acidentes e aumentar a segurança no trânsito. Para os usuários, entender as exigências é fundamental para rodar tranquilo e sem dor de cabeça.
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