Tensões comerciais aumentam e retaliações se aproximam

Gabriela Thier Publicado em 02/02/2025, às 16h52
Neste domingo (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concretizou suas ameaças comerciais ao assinar três ordens executivas que estabelecem tarifas significativas sobre produtos importados do Canadá, do México e da China. A medida, que resultará em uma tarifa de 25% sobre mercadorias canadenses e mexicanas e de 10% sobre produtos chineses, terá início às 0h01 da próxima terça-feira, 4 de fevereiro, no horário de Washington.
As justificativas apresentadas pelo governo americano para tais imposições estão centradas na alegação de que esses países desempenham um papel no tráfico de fentanil e outras substâncias ilícitas, que comprometem a segurança social nos Estados Unidos. As acusações direcionadas ao México e à China foram particularmente severas, levantando preocupações sobre a responsabilidade dos governos na questão das drogas.
As ordens executivas emitidas também continham advertências aos países afetados, alertando que a resposta a essas tarifas com medidas retaliatórias poderia resultar em um aumento nas taxas ou na ampliação do leque de produtos atingidos. Contudo, tanto o Canadá quanto o México desconsideraram essas ameaças e rapidamente anunciaram suas próprias contramedidas.
Em reação à decisão americana, a China declarou no domingo que tomará "contramedidas correspondentes" para proteger seus interesses. O Ministério do Comércio da China manifestou uma oposição firme às novas tarifas e anunciou sua intenção de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar as ações dos Estados Unidos, classificadas como "práticas ilegais".
A Casa Branca não se limitou a criticar as ações da China; também fez acusações sérias sobre a suposta complacência do país asiático em relação ao tráfico de drogas. Em uma declaração contundente, os EUA afirmaram que a China "sustenta ativamente" o comércio ilícito que envenena seus cidadãos e apontou o Partido Comunista Chinês como cúmplice ao subsidiar empresas que exportam fentanil e precursores químicos usados na produção de opioides sintéticos vendidos ilegalmente nos Estados Unidos.
Pequim respondeu enfatizando a necessidade de Washington olhar criticamente para seus próprios desafios relacionados ao fentanil, ao invés de lançar ameaças contra outros países por meio da imposição de tarifas. Além disso, Trump já havia sinalizado anteriormente que qualquer retaliação por parte da China levaria a um aumento nas tarifas ou à ampliação dos produtos afetados.
O porta-voz do comércio chinês, He Yadong, havia advertido anteriormente que as tarifas teriam consequências negativas não apenas para a China e os Estados Unidos, mas também para a economia global. Especialistas ressaltam que essa situação pode resultar em custos elevados para empresas e consumidores americanos e provocar alterações nas cadeias globais de fornecimento.

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