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Tensão e negociação

Trump diz que Irã aceitou não desenvolver armas nucleares, mas Teerã nega negociações

Presidente dos EUA afirma avanço em tratativas, enquanto governo iraniano classifica declarações como “cortina de fumaça” em meio à escalada no Oriente Médio

O conflito no Oriente Médio impacta o Estreito de Ormuz, crucial para o petróleo mundial, enquanto o Irã mantém bloqueio na região - Imagem: Reprodução/Daniel Torok
O conflito no Oriente Médio impacta o Estreito de Ormuz, crucial para o petróleo mundial, enquanto o Irã mantém bloqueio na região - Imagem: Reprodução/Daniel Torok

Letícia Sales Publicado em 25/03/2026, às 09h36


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (24) que o Irã teria concordado em não desenvolver armas nucleares, em meio a supostas negociações em andamento entre Washington e Teerã. A declaração foi feita durante um evento na Casa Branca.

Segundo Trump, ele próprio está diretamente envolvido nas tratativas, que estariam ocorrendo neste momento. “Não haverá armas nucleares. O Irã concordou com isso”, disse o presidente.

O republicano também destacou que os Estados Unidos estariam em vantagem no cenário atual. “Estamos em uma boa posição de negociação. Estamos muito à frente do cronograma e eles não têm marinha, força aérea ou proteção antimíssil. A maioria dos lançamentos deles nós impedimos”, afirmou.

Apesar do discurso otimista, o presidente não apresentou detalhes concretos sobre os avanços diplomáticos. Ele declarou ainda que “os líderes todos se foram” após bombardeios conduzidos por forças norte-americanas e israelenses, mas garantiu que Washington mantém diálogo com “as pessoas certas”, que “querem tanto fazer um acordo”.

As falas ocorrem em meio a um cenário de incertezas. O governo iraniano nega qualquer tipo de contato — direto ou indireto — com os Estados Unidos. Autoridades de Teerã classificaram as declarações de Trump como uma tentativa de aliviar a pressão sobre os mercados internacionais, afetados pela escalada do conflito no Oriente Médio.

Na segunda-feira (23), o presidente norte-americano afirmou ter adiado ataques planejados contra instalações energéticas iranianas por cinco dias. Em publicação na rede social Truth, ele atribuiu a decisão ao avanço de “discussões em andamento” com o país persa.

As declarações, no entanto, foram interpretadas pelo Irã como um “recuo”. O país também apontou que o discurso de Trump funcionaria como uma “cortina de fumaça” diante dos impactos econômicos da guerra, que já dura 25 dias.

Um dos principais reflexos do conflito está no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A região segue sob bloqueio de forças iranianas, permitindo apenas a circulação de embarcações sem vínculos com Estados Unidos ou Israel.

Até o momento, o governo do Irã não comentou oficialmente as declarações mais recentes de Trump sobre um possível acordo nuclear.


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