Mulino questiona os benefícios da Iniciativa Cinturão e Rota e destaca a insatisfação com o acordo firmado em 2017

por Marina Milani
Publicado em 06/02/2025, às 20h00
Nesta quinta-feira (6), o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, anunciou oficialmente o cancelamento do acordo econômico referente à Rota da Seda, que havia sido firmado com a China. Esta decisão ocorre em um contexto de crescente pressão dos Estados Unidos para diminuir a influência chinesa sobre o estratégico Canal do Panamá. Mulino informou que a embaixada panamenha em Pequim já havia enviado a notificação formal ao governo chinês, respeitando o prazo de 90 dias estabelecido no próprio acordo.
Esse movimento se dá apenas quatro dias após a visita do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, ao Panamá. Rubio tinha como objetivo principal contrabalançar o que os americanos consideram uma excessiva ingerência da China na administração do canal interoceânico, que tem sido uma questão sensível na diplomacia regional e internacional.
A Iniciativa Cinturão e Rota, lançada em 2013 pelo presidente chinês Xi Jinping, envolve um extenso projeto de infraestrutura financiado por capitais chineses, destinado a fomentar o comércio e melhorar a conectividade entre várias regiões do mundo, incluindo Ásia, África e América Latina. Mais de 100 países aderiram a essa iniciativa até o momento.
O acordo assinado pelo Panamá em 2017 durante a presidência de Juan Carlos Varela previa uma renovação automática a cada três anos. No entanto, Mulino ressaltou que tal pacto poderia ser rescindido mediante notificação prévia de três meses por qualquer uma das partes envolvidas. Questionando os benefícios reais trazidos pelo acordo, ele expressou sua insatisfação: "O que essa 'Belt and Road Initiative' trouxe para o país?"
Em reação à decisão do Panamá, Marco Rubio classificou-a como um importante avanço nas relações entre o Panamá e os Estados Unidos, afirmando que isso contribuirá para fortalecer laços bilaterais. As autoridades americanas veem a iniciativa chinesa como um vetor para expansão da influência de Pequim e um potencial risco à segurança global.
Por outro lado, o porta-voz da chancelaria chinesa, Lin Jian, declarou que a cooperação entre a China e o Panamá dentro da Iniciativa Cinturão e Rota continua ocorrendo de forma normal e com resultados positivos. Ele ainda expressou esperança de que o Panamá possa resistir às chamadas "interferências externas" nas suas decisões soberanas.
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