Diário de São Paulo
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Lula acusa filhos de Bolsonaro de incentivar pressão comercial dos EUA contra o Brasil: "Traidores da pátria"

Presidente atribui à articulação de Flávio e Eduardo Bolsonaro relatório americano que propõe tarifa de 25% sobre exportações brasileiras

Petista reagiu ao relatório dos EUA e criticou articulações da família Bolsonaro - Imagem: Ricardo Stuckert/PR
Petista reagiu ao relatório dos EUA e criticou articulações da família Bolsonaro - Imagem: Ricardo Stuckert/PR

Redação Publicado em 02/06/2026, às 16h21 - Atualizado às 17h00


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) responsabilizou nesta terça-feira (2) os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela pressão comercial exercida pelos Estados Unidos contra o Brasil. Segundo Lula, as articulações de Flávio e Eduardo Bolsonaro com autoridades americanas ajudaram a impulsionar o relatório que sugere uma tarifa de 25% sobre parte das exportações brasileiras.

Ao comentar o tema, o presidente fez duras críticas aos filhos do ex-chefe do Executivo e afirmou que eles teriam incentivado a interferência estrangeira em assuntos internos do país. Lula classificou a atuação do grupo como uma afronta aos interesses nacionais e acusou integrantes da família Bolsonaro de buscarem apoio externo para pressionar o governo brasileiro.

Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele, e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. São traidores", disse Lula. 

A declaração foi uma resposta às afirmações de Flávio Bolsonaro, que esteve nos Estados Unidos na semana passada e se reuniu com o presidente Donald Trump e integrantes de sua equipe. Nesta terça-feira, o senador afirmou que pediu ao líder americano que evitasse a aplicação de tarifas contra empresas brasileiras. Lula, no entanto, rejeitou a versão apresentada pelo parlamentar e o chamou de "covarde".

Em nota, o governo federal informou ter recebido "com indignação" o relatório divulgado pelas autoridades americanas. Segundo o Palácio do Planalto, o documento foi elaborado após uma "provocação da família Bolsonaro" e representa uma tentativa de interferência em assuntos internos do Brasil.

Novas tarifas

A polêmica teve início após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluir uma investigação que acusa o Brasil de adotar práticas que dificultariam ou restringiriam o comércio com empresas americanas. O relatório cita temas como o sistema de pagamentos PIX, o combate ao desmatamento ilegal, a pirataria e a aplicação de leis anticorrupção.

Como resultado da investigação, o órgão propôs a criação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados para o mercado americano. A medida, porém, prevê exceções para itens considerados estratégicos pelos Estados Unidos, como café, carne, frutas, aeronaves e minerais de terras raras.

Embora tenha sido sugerida pelo órgão americano, a sobretaxa ainda não entrou em vigor. Pela legislação americana, a proposta precisa passar por etapas administrativas e consultas públicas antes que uma decisão definitiva seja tomada.


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