Transição de poder na Síria gera tensão regional enquanto Moscou acolhe líder deposto

por Marina Milani
Publicado em 09/12/2024, às 08h38
O Kremlin anunciou oficialmente nesta segunda-feira (9) que concedeu asilo político a Bashar al-Assad, o ex-ditador sírio deposto após 24 anos no poder. A decisão foi confirmada após a entrada de rebeldes na capital síria, Damasco, sem enfrentar resistência militar. Assad teria deixado o país no domingo, segundo informações da agência estatal russa Tass.
A queda de Assad marca um novo capítulo na história da Síria, após mais de uma década de guerra civil que devastou o país e resultou em mais de 500 mil mortos. Embora o ditador tenha mantido controle sobre grande parte do território com o apoio de aliados como Rússia, Irã e Hezbollah, a mudança no cenário geopolítico enfraqueceu o suporte a seu governo.
A retirada de tropas iranianas e do Hezbollah da Síria nas últimas semanas sinalizou o enfraquecimento das forças aliadas de Assad. A Rússia, sobrecarregada com a guerra na Ucrânia, também não demonstrou interesse em intensificar sua presença militar no país árabe.
O cientista político Guilherme Casarões explica que essa conjuntura abriu espaço para que os rebeldes ganhassem força. “O vácuo de poder entre os aliados de Assad foi a brecha que os rebeldes precisavam. A tomada de Aleppo foi um ponto de virada estratégico.”
A queda de Assad levanta preocupações sobre a estabilidade no Oriente Médio. Especialistas alertam para o risco de um vácuo de poder que pode intensificar os conflitos envolvendo Israel, Irã, Hezbollah e grupos como o Hamas.
Além disso, o asilo concedido pela Rússia reforça a aliança histórica entre Moscou e Assad, mas pode afetar o já fragilizado prestígio de Vladimir Putin na arena internacional. Observadores destacam que a transição de poder na Síria é um golpe para o Kremlin, que investiu recursos consideráveis para manter Assad no poder.
A Ucrânia, por sua vez, afirmou que a escalada do conflito na Síria é uma prova de que a Rússia não possui capacidade para sustentar dois conflitos simultaneamente.
A situação na Síria permanece incerta, com grupos rebeldes consolidando suas posições e analistas ponderando sobre a possibilidade de negociações para uma transição política mais ampla. Enquanto isso, a presença de Assad em Moscou pode se tornar um ponto sensível nas relações diplomáticas entre a Rússia e outras potências globais.
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