Mais de 800 palestinos morreram buscando assistência, levando países a questionar o modelo de ajuda israelense

Gabriela Thier Publicado em 21/07/2025, às 15h46
Nesta segunda-feira (21), o Reino Unido, junto a mais de 20 nações, fez um apelo urgente pelo término do genocídio em Gaza, manifestando preocupações sobre o sistema de distribuição de ajuda implementado pelo governo israelense. Esta solicitação ocorreu após a trágica morte de centenas de palestinos próximos a locais destinados à entrega de alimentos.
Entre os países que assinaram a declaração estão França, Itália, Japão, Austrália, Canadá e Dinamarca. Esses governos reportaram que mais de 800 palestinos perderam a vida enquanto buscavam assistência humanitária, criticando o que caracterizaram como um "modelo de ajuda por gotejamento" e um "assassinato desumano de civis".
A maioria das fatalidades ocorreu nas proximidades dos centros operados pela Fundação Humanitária de Gaza (GHF), uma entidade que recebeu apoio dos Estados Unidos e de Israel para assumir a distribuição da ajuda em Gaza, substituindo uma rede anteriormente liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Os ministros das Relações Exteriores dos países signatários enfatizaram em uma declaração conjunta que "o modelo de distribuição de ajuda do governo israelense é perigoso, alimenta a instabilidade e priva os habitantes de Gaza da dignidade humana".
O pedido pelo cessar-fogo e as críticas ao método adotado por Israel para fornecer ajuda emergem não apenas de nações que historicamente apoiaram Israel, mas também do seu principal aliado, os Estados Unidos.
A GHF emprega empresas privadas norte-americanas especializadas em segurança e logística para entregar suprimentos a Gaza, evitando em grande parte um sistema coordenado pela ONU. O governo israelense justifica essa mudança alegando que o modelo anterior permitia que militantes do Hamas desviassem carregamentos destinados aos civis. O Hamas refuta essa acusação.
A ONU expressou preocupações acerca da segurança do modelo da GHF, classificando-o como uma violação dos princípios de imparcialidade humanitária, o que é negado pela própria fundação.
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