Rafael Ramírez, prefeito de Maracaibo, foi preso pelo serviço de inteligência nacional nesta terça-feira (1)

William Oliveira Publicado em 03/10/2024, às 09h01
O prefeito de Maracaibo, Rafael Ramírez, figura central da oposição ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela, foi detido pelo serviço de inteligência nacional nesta terça-feira (1), conforme relatado pela Agência France-Presse (AFP).
Ramírez, de 49 anos, pertence ao partido Primeiro Justiça, que expressou veemente repúdio à sua prisão, classificando-a como injustificada e ocorrida durante o exercício de suas funções administrativas. Ele assumiu o cargo após ser eleito em 2021.
Em resposta à detenção, o Ministério Público venezuelano, sob influência do governo Maduro, anunciou que irá processar Ramírez com base em suspeitas de corrupção. A promotoria destacou que um promotor especializado foi designado para investigar várias alegações contra funcionários da Prefeitura de Maracaibo, supostamente em violação da lei anticorrupção do país.
O MP ainda afirma ter coletado provas suficientes para incriminar os envolvidos, que serão apresentadas brevemente aos tribunais para formalização das acusações. Segundo informações do partido Primeiro Justiça, Ramírez foi levado para uma instalação local do serviço de inteligência, juntamente com seu chefe de segurança e uma funcionária do gabinete.
''O Ministério Público colheu elementos suficientes e provas que incriminam os referidos investigados", informou o órgão.
A administração municipal de Maracaibo condenou as detenções como infundadas e exigiu a liberação imediata de Rafael Ramírez Colina, defendendo o respeito às instituições e poderes públicos.
A Plataforma Unitária, uma coalizão de dez partidos opositores, considerou a prisão do prefeito como "arbitrária e ilegal", exigindo sua imediata libertação. Maracaibo, capital do estado de Zulia, é reconhecida por seu robusto eleitorado oposicionista.
O episódio se desenrola em meio a um cenário político conturbado na Venezuela, exacerbado pela reeleição controversa de Nicolás Maduro. A oposição alega fraude eleitoral e reivindica a vitória de Edmundo González Urrutia nas últimas eleições presidenciais.
De acordo com a oposição, 154 líderes foram presos este ano, incluindo colaboradores próximos da liderança opositora María Corina Machado. Além disso, dados oficiais indicam que mais de 2.400 pessoas foram detidas durante manifestações pós-eleitorais que resultaram em 27 mortes e cerca de 200 feridos.
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