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Mercado financeiro

Piqué é multado por lucrar com informação privilegiada na bolsa espanhola

Ex-zagueiro do Barcelona teria comprado ações após receber antecipadamente detalhes confidenciais de uma negociação milionária no setor de saúde. Autoridades da Espanha apontam uso ilegal de informação privilegiada para obter lucro no mercado financeiro.

Gerard Piqué foi acusado pelo regulador financeiro da Espanha de lucrar com compra de ações baseada em informações confidenciais do mercado - Imagem: Reprodução
Gerard Piqué foi acusado pelo regulador financeiro da Espanha de lucrar com compra de ações baseada em informações confidenciais do mercado - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 11/05/2026, às 11h57


Gerard Piqué foi multado pela CNMV por usar informações confidenciais para lucrar na bolsa, após adquirir ações da Aspy Global Services antes de um anúncio de aquisição pela Atrys Health.

O ex-jogador comprou mais de 100 mil ações dias antes do anúncio, resultando em um lucro de cerca de 45,8 mil euros após a valorização das ações.

Piqué recebeu uma multa de 200 mil euros e seu informante, Francisco José Elias, foi multado em 100 mil euros; ambos podem recorrer da decisão na Justiça espanhola.

O ex-jogador espanhol Gerard Piqué foi multado pelo regulador do mercado financeiro da Espanha após ser acusado de utilizar informações confidenciais para lucrar na bolsa de valores. A decisão foi anunciada pela Comisión Nacional del Mercado de Valores (CNMV), órgão responsável pela supervisão do mercado financeiro espanhol.

Segundo a investigação, Piqué teve acesso antecipado à informação de que a empresa Atrys Health planejava adquirir a Aspy Global Services. O negócio ainda não havia sido divulgado oficialmente ao mercado quando o ex-jogador realizou a compra de ações da Aspy.

De acordo com informações divulgadas pela agência Reuters, Piqué adquiriu mais de 100 mil ações da empresa poucos dias antes do anúncio oficial da negociação. Após a divulgação pública da compra pela Atrys Health, os papéis da Aspy registraram valorização no mercado financeiro.

Com a alta das ações, o ex-atleta vendeu os ativos e teria obtido um lucro estimado em cerca de 45,8 mil euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 264 mil na cotação atual.

Para a CNMV, a operação configura uso de informação privilegiada, prática considerada ilegal no mercado financeiro por permitir vantagem indevida a investidores que negociam ações com base em dados ainda desconhecidos pelo restante do mercado.

O empresário Francisco José Elias, apontado pelas autoridades como responsável por compartilhar as informações confidenciais com Piqué, também foi punido no processo administrativo.

A decisão determinou multa de 200 mil euros para Piqué e de 100 mil euros para Elias. Apesar da punição administrativa já ter sido oficializada, ambos ainda podem recorrer da decisão na Justiça espanhola.

O caso gerou forte repercussão na Espanha por envolver um dos nomes mais conhecidos do futebol mundial. Desde a aposentadoria dos gramados, Piqué ampliou sua atuação no setor empresarial, esportivo e de entretenimento. O ex-jogador também esteve recentemente envolvido em projetos ligados à Kings League, competição de futebol criada em parceria com streamers e influenciadores digitais.

Especialistas apontam que casos de insider trading, como é conhecido o uso de informação privilegiada no mercado financeiro, costumam ser tratados com rigor por reguladores internacionais devido ao impacto direto na confiança dos investidores e na igualdade das negociações dentro da bolsa de valores.

Na legislação europeia, esse tipo de prática pode gerar não apenas multas milionárias, mas também processos judiciais e sanções adicionais dependendo da gravidade da infração e do lucro obtido com as operações.


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