Fracasso nas negociações com o Irã e escalada de tensão com declarações de Donald Trump pressionam preços da commodity

Erika Osti Publicado em 12/04/2026, às 19h48
O preço do petróleo disparou no mercado internacional neste domingo (12) e voltou a superar a marca dos US$ 100 por barril em meio à escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã. O movimento ocorre após o fracasso das negociações diplomáticas entre os dois países e o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de que pretende implementar um bloqueio no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo.
O temor de interrupção no fluxo da commodity, somado ao risco de agravamento do conflito no Oriente Médio, impulsionou as cotações e reacendeu preocupações com impactos na economia mundial. Por volta das 19h, o petróleo Brent, referência global, registrava alta de 6,80%, cotado a US$ 101,93 por barril. Já o WTI, principal referência nos Estados Unidos, subia ainda mais, com avanço de 7,98%, chegando a US$ 104,27.
A forte valorização ocorre após um fim de semana de negociações intensas entre representantes dos dois países em Islamabad, no Paquistão. As conversas, classificadas como de alto nível, se estenderam por cerca de 21 horas, mas terminaram sem acordo. A negativa iraniana levou ao colapso das tratativas e aumentou o nível de tensão entre as duas nações.
Pouco depois, Trump fez uma série de declarações públicas em tom duro, afirmando que a paciência americana com o Irã havia se esgotado. O presidente anunciou que a Marinha dos EUA iniciará um bloqueio naval no Estreito de Ormuz, com o objetivo de interceptar embarcações ligadas ao governo iraniano ou que tenham pago taxas para transitar na região.
O estreito é considerado um ponto estratégico para o comércio global de energia, por onde passa uma parcela significativa do petróleo exportado do Oriente Médio. Qualquer restrição no tráfego de navios na área tem impacto direto na oferta global e, consequentemente, nos preços.
O Comando Central dos Estados Unidos informou que a operação deve começar na manhã de segunda-feira (13), pelo horário de Brasília. Segundo a comunicação oficial, o bloqueio será direcionado a embarcações associadas ao Irã, enquanto navios sem ligação com portos iranianos poderão seguir transitando.
Na prática, a medida amplia a pressão sobre Teerã ao tentar cortar uma fonte relevante de financiamento do governo iraniano, especialmente em meio ao conflito em curso. Atualmente, mesmo com restrições impostas pelo próprio Irã, o estreito ainda permite a passagem controlada de petroleiros, muitas vezes mediante pagamento de taxas elevadas.
Do lado iraniano, a reação foi imediata. O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, criticou as exigências americanas e classificou a postura de Washington como irrealista, além de apontar falta de confiança nas negociações.
Especialistas apontam que o risco de interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz é um dos principais fatores de volatilidade no mercado energético global. A simples possibilidade de bloqueio total já é suficiente para provocar fortes oscilações, como as registradas neste domingo.
A escalada nas tensões também aumenta a preocupação com impactos mais amplos, incluindo alta nos preços dos combustíveis, inflação global e desaceleração econômica em diversos países.
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