Após mais de 21 horas de reuniões no Paquistão, impasse sobre programa nuclear e Estreito de Ormuz impede avanço e eleva tensão entre os países

Erika Osti Publicado em 12/04/2026, às 15h11
As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã que ocorreram durante o sábado (11) terminaram sem acordo após mais de 21 horas de reuniões intensas em Islamabad, no Paquistão. Esse resultado aprofunda a crise entre os dois países e abre espaço para uma nova escalada no conflito. O impasse gira principalmente em torno do programa nuclear iraniano e das exigências de Washington, consideradas inaceitáveis por Teerã.
O vice-presidente americano, JD Vance, que liderou a delegação dos EUA, afirmou que os iranianos recusaram os termos apresentados, sobretudo a exigência de um compromisso claro de não desenvolver armas nucleares nem tecnologias que permitam sua rápida produção. Segundo ele, esse é o objetivo central do presidente Donald Trump. Durante toda a negociação, Vance manteve contato direto com a Casa Branca e deixou o encontro sem responder a perguntas adicionais.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad-Bagher Ghalibaf, disse que houve disposição para negociar, mas criticou a falta de confiança na contraparte. Ele afirmou que propostas consideradas promissoras foram apresentadas, mas não houve avanço suficiente para um acordo, em meio a desconfianças acumuladas após conflitos recentes envolvendo Estados Unidos e aliados, como Israel.
Além da questão nuclear, as conversas abordaram temas sensíveis como o futuro do Estreito de Ormuz, indenizações de guerra, levantamento de sanções e o fim das hostilidades na região. Ainda assim, divergências profundas impediram qualquer consenso. Autoridades iranianas classificaram as exigências americanas como excessivas e reiteraram o direito do país de manter um programa nuclear com fins pacíficos.
Logo após o fracasso das negociações, Trump adotou um tom mais duro e anunciou medidas para pressionar Teerã. O presidente afirmou que ordenou à Marinha dos Estados Unidos a interceptação de embarcações que tenham pago taxas ao Irã para transitar pelo Estreito de Ormuz, além da remoção de minas na região. Ele também ameaçou reagir com força a qualquer ataque iraniano.
O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, responsável por cerca de 20% do transporte global de petróleo. A região já vinha sob tensão desde o fim de fevereiro, quando o Irã restringiu o tráfego após ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. A possibilidade de bloqueio ou militarização da área preocupa o mercado internacional e eleva o risco de impactos econômicos globais.
Apesar do impasse, o Paquistão, que atuou como mediador, pediu que os dois lados mantenham o cessar-fogo e sigam abertos ao diálogo. Analistas avaliam que, embora não tenha havido acordo, as conversas não encerram completamente a via diplomática. Há sinais de que negociações indiretas podem continuar nos próximos dias, ainda que sem garantias de avanço.
O cenário, no entanto, segue incerto. Enquanto Washington aumenta a pressão militar e econômica, o Irã demonstra resistência a ceder sob ameaças. A falta de consenso em Islamabad evidencia a distância entre as partes e indica que uma solução para o conflito ainda está longe de ser alcançada.
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