Durante a cerimônia, o novo pontífice alertou sobre a obsessão por dinheiro e poder e defendeu uma reflexão mais profunda sobre a fé cristã

William Oliveira Publicado em 09/05/2025, às 09h09
Nesta sexta-feira (9), o papa Leão XIV celebrou sua primeira missa como líder da Igreja Católica, dando início a um pontificado que promete dar continuidade ao legado de seu antecessor, Francisco. Durante a cerimônia, o novo pontífice manifestou preocupação com a crescente obsessão da sociedade por dinheiro e poder, e ressaltou a necessidade de uma reflexão mais profunda sobre a fé cristã.
Em sua homilia, Leão XIV lamentou o que considera a perda da centralidade da fé em meio à valorização excessiva de bens materiais e prazeres mundanos.
"Ainda hoje, não faltam contextos em que a fé cristã é considerada uma coisa absurda, para pessoas fracas e pouco inteligentes; contextos em que, em vez dela, se preferem outras seguranças, como a tecnologia, o dinheiro, o sucesso, o poder e o prazer", afirmou.
O papa também alertou sobre o risco de reduzir Jesus Cristo a um mero "líder carismático" ou a um "super-homem", em uma mensagem que parece mirar tanto os descrentes quanto os próprios fiéis. Segundo ele, muitos católicos caem em uma forma de ateísmo prático ao admirar Jesus apenas como figura histórica ou moral, sem reconhecer sua essência divina e espiritual.
Natural de Chicago, Robert Francis Prevost, agora Leão XIV, tornou-se o segundo papa oriundo das Américas, sucedendo Francisco. Com uma trajetória marcada por seu trabalho pastoral na América Latina, especialmente como bispo em Chiclayo, no Peru — país do qual se tornou cidadão em 2015 —, o novo pontífice carrega uma experiência que reforça seus laços com a região.
Como cardeal, Prevost destacou-se pela defesa das causas sociais e pela crítica às políticas migratórias dos Estados Unidos durante a gestão de Donald Trump. Esse histórico sinaliza que sua liderança na Igreja Católica deverá manter o foco nos direitos dos migrantes e dos mais vulneráveis.
O início do pontificado de Leão XIV indica uma clara continuidade com os princípios sociais defendidos por Francisco. A proteção dos desamparados, o acolhimento dos migrantes e o chamado à vivência autêntica da fé cristã parecem nortear os primeiros passos deste novo papa.
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