Francisco, o primeiro papa latino-americano, foi um defensor dos marginalizados e promoveu reformas na Igreja durante seu papado

Manoela Cardozo Publicado em 21/04/2025, às 05h45
O Vaticano anunciou a morte do Papa Francisco, que faleceu na madrugada desta segunda-feira (21), em sua residência oficial na Casa Santa Marta, em Roma. O cardeal Kevin Farrell confirmou a triste notícia.
O pontífice tinha enfrentado sérios problemas de saúde nos últimos meses, incluindo uma internação prolongada de 40 dias devido a pneumonia dupla. Apesar de seu estado debilitado, ele fez aparições públicas significativas, incluindo um evento na Basílica de São Pedro no sábado (19), e uma bênção na Praça de São Pedro durante o Domingo de Páscoa, onde pediu aos líderes mundiais que priorizassem a ajuda aos necessitados e trabalhassem para combater a fome.
Nascido em Buenos Aires, Argentina, em 17 de dezembro de 1936, Jorge Mario Bergoglio foi o primeiro papa latino-americano a ser eleito para liderar a Igreja Católica. Ele assumiu o papado em 13 de março de 2013, adotando o nome Francisco em homenagem a São Francisco de Assis.
Filho de imigrantes italianos, Francisco se formou em química antes de decidir seguir o caminho sacerdotal aos 20 anos. Após ingressar no seminário da Companhia de Jesus, ele foi ordenado sacerdote em 1969 e rapidamente se destacou na hierarquia da Igreja, tornando-se bispo auxiliar de Buenos Aires em 1992 e arcebispo em 1998. Em 2001, foi nomeado cardeal pelo então papa João Paulo II.
Além de sua trajetória religiosa, o Papa Francisco teve uma carreira acadêmica notável como reitor da Faculdade de São Miguel e possui um doutorado em teologia pela Universidade de Freiburg, na Alemanha. Como líder da Igreja Católica, ele foi reconhecido por seu discurso mais progressista e por suas iniciativas voltadas à reforma das instituições eclesiásticas.
Em um dos momentos mais significativos de seu papado, ele se reuniu com vítimas de abusos sexuais cometidos por clérigos em Portugal em 2023 e criticou a resposta inadequada da Igreja ao escândalo. Além disso, o Vaticano introduziu novas diretrizes em 2025 para permitir a entrada de homens gays nos seminários, desde que respeitem a castidade.
No que diz respeito à saúde do pontífice, Francisco enfrentou diversos desafios respiratórios ao longo da vida, incluindo a remoção parcial de um pulmão quando jovem. Em fevereiro de 2025, ele precisou ser internado devido a complicações relacionadas à bronquite e passou a utilizar cadeira de rodas para auxiliar sua locomoção.
Com a morte de Francisco, a Igreja entra agora no período de Sé Vacante, que antecede a escolha de um novo pontífice. O Colégio dos Cardeais será convocado para um conclave no Vaticano, onde elegerá o sucessor. Enquanto isso, fiéis de todo o mundo prestam homenagens ao papa, que marcou a história com sua simplicidade, humildade e compromisso com a renovação da Igreja.
A morte do Papa Francisco marca o fim de uma era caracterizada por seu compromisso com os pobres e marginalizados e sua disposição para enfrentar questões difíceis dentro da Igreja. O legado do pontífice será lembrado não apenas por suas contribuições teológicas mas também pela sua busca incansável por justiça social e compaixão humana.
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