Apesar da aprovação por 124 países, EUA se retiram do acordo, não sendo obrigados a cumprir suas diretrizes

Gabriela Thier Publicado em 20/05/2025, às 16h02
Na última terça-feira (20), os países membros da Organização Mundial da Saúde (OMS) formalizaram um importante acordo que visa aprimorar a preparação global para futuras pandemias. A decisão foi tomada após uma resposta considerada desarticulada à crise sanitária provocada pela covid-19. Contudo, os Estados Unidos acabaram se ausentando da assinatura do tratado.
Após três anos de intensas negociações, a Assembleia Mundial da Saúde, reunida em Genebra, aprovou um pacto juridicamente vinculativo, recebendo aplausos dos representantes dos países membros.
O novo acordo foi celebrado como uma conquista significativa para a saúde pública e a ação multilateral em um período em que a OMS enfrenta desafios financeiros, especialmente com os cortes de financiamento por parte dos EUA. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou: "Este acordo representa um avanço para a saúde pública e garantirá que possamos proteger o mundo contra futuras ameaças pandêmicas".
Uma das principais diretrizes do pacto estabelece que, durante uma pandemia, as empresas farmacêuticas devem destinar 20% de suas vacinas, medicamentos e testes à OMS. Essa medida visa assegurar que os países em desenvolvimento tenham acesso adequado a tratamentos e vacinas.
Entretanto, os negociadores americanos se retiraram das conversações após o ex-presidente Donald Trump iniciar um processo de retirada da OMS em 2021. Com essa saída, os EUA não estarão obrigados a cumprir o novo acordo, e os países membros não enfrentarão sanções caso não implementem as medidas propostas.
A votação decisiva ocorreu na segunda-feira anterior ao anúncio oficial do pacto, quando a Eslováquia levantou preocupações sobre as vacinas contra a covid-19. Apesar disso, 124 países votaram a favor do acordo e 11 se abstiveram, incluindo nações como Polônia e Rússia.
Importante ressaltar que o acordo só será efetivo após a conclusão de um anexo que abordará o compartilhamento de informações patogênicas. As negociações referentes a esse documento estão previstas para iniciar em julho, com a expectativa de que seja apresentado à Assembleia Mundial da Saúde dentro de até dois anos.
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