A Nova Zelândia avança com uma legislação antitabagista para tentar tornar-se um país sem fumantes em 2025. Os preços vão subir, e a idade legal para fumar

Redação Publicado em 09/12/2021, às 00h00 - Atualizado às 10h39
A Nova Zelândia avança com uma legislação antitabagista para tentar tornar-se um país sem fumantes em 2025. Os preços vão subir, e a idade legal para fumar aumentará durante os próximos quatro anos. “Smokefree 2025” é uma política do governo trabalhista neozelandês para tornar a próxima geração livre do vício. O objetivo é que as novas medidas incentivem as pessoas a deixar o tabaco e afastem os mais jovens do hábito.

Nos próximos quatro anos, fumar deverá se tornar inaceitável e inacessível na Nova Zelândia.
A futura legislação implica redução da quantidade legal de nicotina nos produtos de tabaco, extinção de lojas de venda, aumento de preços e definição de idade mínima para comprar cigarro, o que aumentará todos os anos.
“Este é um dia histórico para a saúde de nosso povo”, declarou Ayesha Verrall, ministra neozelandesa da Saúde, citada no The Guardian.
As autoridades de saúde da Nova Zelândia afirmam que os fumantes normalmente adquirem o hábito durante a juventude. Cerca de quatro em cada cinco neozelandeses começam a fumar aos 18 anos e 96% aos 25 anos. Ao impedir que uma geração comece a fumar, o governo pretende evitar cerca de 5 mil mortes em um ano.
“Queremos garantir que os jovens nunca comecem a fumar, por isso consideraremos um crime vender ou fornecer produtos de tabaco para os novos grupos de jovens. Quando a lei entrar em vigor, pessoas com 14 anos nunca poderão comprar tabaco legalmente”, argumentou Verrall.
As taxas diárias de tabagismo caíram de 18% em 2008 para 11,6% em 2018. Por sua vez, as populações nativas dos Maóri e Pacifika contrariam a tendência. O percentual chega a atingir 29%.
“Se nada mudar, levará décadas até que as taxas de fumantes maori caiam para menos de 5%”, disse Verrall.
Para a ministra, é possível erradicar o tabagismo nos próximos quatro anos, mas terá de ser de forma mais radical para ter impacto: “Acredito que estamos no caminho certo para a população europeia da Nova Zelândia. A questão, no entanto, é: se não alterarmos os hábitos firmemente, nunca faremos com que os Maori também alterem – e é nisso que o plano está realmente focado”.
Se as políticas antitabaco foram aplaudidas por especialistas em saúde pública, novos riscos relacionados com o mercado negro do produto podem ocorrer.
Sunny Kaushal, presidente do Dairy and Business Owners Group, que representa cerca de 5 mil lojas de esquina – geralmente chamadas de laticínios na Nova Zelândia – e postos de gasolina, diz que todos querem um país livre do fumo. “Mas isso terá um impacto enorme nas pequenas empresas. Não deveria ser feito, pois está destruindo as lojas de laticínios, vidas e famílias no processo. Não é o caminho”, acrescentou.
Kaushal alerta que os aumentos de impostos sobre o tabaco já impulsionaram um mercado negro explorado por gangues, e que “o problema só vai piorar”.
O governo reconheceu o risco do contrabando nas propostas iniciais: “As evidências indicam que a quantidade de produtos de tabaco contrabandeados para a Nova Zelândia aumentou substancialmente nos últimos anos e que grupos criminosos organizados estão envolvidos no contrabando em grande escala”.
A nova legislação não prevê restringir as vendas de vapor.
No processo de tornar o país totalmente livre do fumo nos próximos quatro anos, a vaporização tem substituído o tradicional tabaco e está atraindo muitos jovens que nunca teriam começado a fumar.
Verrall confirma que há evidências de um aumento na quantidade de jovens, uma tendência que está acompanhando “muito de perto”. “Achamos que a vaporização é uma ferramenta realmente apropriada para parar”, contrapôs.
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RTP
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