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Guerra

Negociações entre Rússia e Ucrânia em Istambul enfrentam dificuldades

A Rússia busca garantir seus interesses, enquanto a Ucrânia exige a retirada de tropas e garantias de segurança de aliados

A Rússia busca garantir seus interesses, enquanto a Ucrânia exige a retirada de tropas e garantias de segurança de aliados - Imagem: Reprodução / X / @RussianSpoof
A Rússia busca garantir seus interesses, enquanto a Ucrânia exige a retirada de tropas e garantias de segurança de aliados - Imagem: Reprodução / X / @RussianSpoof

Gabriela Thier Publicado em 23/07/2025, às 14h54


Na quarta-feira (23), a cidade turca de Istambul se prepara para receber delegações da Ucrânia e da Rússia, dando início a uma nova rodada de negociações com o objetivo de estabelecer um cessar-fogo no conflito que assola a Ucrânia.

Entretanto, as expectativas para um acordo significativo entre os dois países são bastante pessimistas. O governo russo já adiantou que não há razões para esperar por "avanços milagrosos" nas conversas.

Esta será a terceira série de diálogos diretos na Turquia, novamente pressionada pela administração do presidente norte-americano Donald Trump. O líder dos Estados Unidos deu um prazo de 50 dias para que Moscou chegue a um entendimento com Kiev, sob risco de enfrentar sanções rigorosas.

Ainda assim, as chances de progresso permanecem limitadas, uma vez que as divergências entre as partes continuam profundas e aparentemente irreconciliáveis.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou na terça-feira (22) que, apesar da falta de expectativa de avanços significativos, a Rússia está determinada a defender seus interesses e cumprir suas obrigações estabelecidas desde o início do conflito. Peskov também mencionou a possibilidade de uma nova troca de prisioneiros e repatriação dos mortos como um resultado positivo das negociações.

"A regularização da situação ucraniana é extremamente complexa; portanto, alcançar acordos sobre trocas ou devolução de corpos pode ser considerado um avanço", afirmou. Ele ainda acrescentou que muito trabalho precisa ser realizado antes que se possa considerar reuniões em alto nível entre os líderes dos dois países, especialmente após o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky ter solicitado uma reunião com o presidente russo Vladimir Putin.

As rodadas anteriores de negociações em maio e junho resultaram em pouco avanço em relação ao cessar-fogo, limitando-se a acordos sobre trocas de prisioneiros e repatriação de corpos de soldados falecidos.

No contexto atual, Zelensky expressou sua intenção de discutir novas trocas com Moscou, além do retorno de crianças ucranianas levadas à Rússia durante o conflito.

Dmitry Peskov enfatizou no dia 21 que as posições entre Kiev e Moscou permanecem "diametralmente opostas". A Rússia exige que a Ucrânia reconheça a soberania sobre quatro regiões parcialmente ocupadas no Leste e Sul do país, além da Crimeia, anexada em 2014. Além disso, Moscou pede o fim do fornecimento de armas ocidentais à Ucrânia e a desistência da adesão ao Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Por outro lado, a Ucrânia insiste na retirada das tropas russas e na obtenção de garantias de segurança por parte dos aliados ocidentais, incluindo a continuidade no fornecimento de armamentos e o envio de tropas europeias. Além disso, Kiev e seus aliados solicitam um cessar-fogo imediato por 30 dias, uma condição que Moscou rejeita categoricamente.

Em uma nova reviravolta nas negociações, Zelensky anunciou que Rustem Umerov, ex-ministro da Defesa e atual secretário do Conselho de Segurança ucraniano, liderará a delegação nacional nas discussões. Por sua vez, Moscou ainda não divulgou os nomes dos membros de sua equipe negociadora. Nas rodadas anteriores, a delegação russa foi chefiada pelo ex-ministro da Cultura Vladimir Medinsky, cuja posição foi criticada por Kiev como sendo inferior no âmbito governamental.

A guerra continua inabalável enquanto as negociações se desenrolam. O Ministério da Defesa russo relatou nesta quarta-feira que suas forças destruíram 33 drones ucranianos durante ataques noturnos em seis regiões. De acordo com os relatórios militares oficiais, os principais focos dos ataques ocorreram nas regiões de Tula e Rostov, onde foram abatidas 12 e 11 aeronaves não tripuladas respectivamente.

Esses incidentes se seguiram a um dos maiores ataques realizados pela Rússia contra a Ucrânia na noite anterior. A Força Aérea ucraniana informou que Moscou lançou um total de 426 drones e 24 mísseis nessa noite fatídica. Os ataques resultaram na morte trágica de uma criança de dez anos e deixaram mais de 20 feridos.


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