Após ataque público do presidente, pontífice reage com firmeza e eleva o tom ao falar de guerra, fé e poder

Manoela Cardozo Publicado em 13/04/2026, às 14h12
A tensão entre religião e política ganhou um novo capítulo explosivo após declarações cruzadas entre o papa Leão XIV e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em meio a críticas diretas vindas da Casa Branca, o líder da Igreja Católica decidiu responder sem recuar e deixou claro que não pretende mudar seu discurso.
Durante conversa com jornalistas a bordo do avião papal, o pontífice reagiu às acusações e reforçou que sua posição não tem alvo político específico. “Colocar minha mensagem no mesmo patamar do que o presidente tentou fazer aqui é não compreender o Evangelho”, afirmou. Mesmo diante da pressão, ele foi categórico ao acrescentar: “Não tenho medo do governo Trump”.
A fala ocorre depois de o presidente usar suas redes sociais para atacar duramente o papa, chamando-o de “fraco” e questionando sua atuação em temas internacionais. Em uma publicação que rapidamente repercutiu, Trump afirmou que não quer “um papa que ache tudo bem o Irã ter uma arma nuclear” e criticou posicionamentos atribuídos ao líder religioso, ainda que não haja registros de que tais declarações tenham sido feitas.
O conteúdo acabou sendo apagado pouco depois, mas não antes de provocar reações dentro e fora da Igreja. Trump ainda insinuou que a escolha de Leão XIV teria sido influenciada por sua própria presença na presidência, sugerindo que o Vaticano buscou um papa americano como forma de lidar com ele.
Sem mencionar diretamente o presidente em todos os momentos, o pontífice reforçou que sua missão vai além de disputas políticas. Ele afirmou que continuará defendendo a paz e criticou o que chamou de “ilusão de onipotência”, apontada como combustível para conflitos armados ao redor do mundo.
Ao desembarcar na Argélia, Leão XIV voltou a subir o tom e condenou “as contínuas violações ao direito internacional”, ampliando o alcance de sua crítica em meio a um cenário global já tensionado.
As declarações de Trump também geraram desconforto entre aliados e lideranças internacionais. A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou as falas como inaceitáveis, ecoando a reação de setores influentes da Igreja nos Estados Unidos.
Como se não bastasse, o episódio ganhou um elemento ainda mais inusitado quando Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece vestido como uma figura religiosa, cercado por símbolos americanos e militares. A publicação rapidamente viralizou e intensificou o debate nas redes.
Entre críticas, respostas afiadas e imagens controversas, o confronto entre fé e poder segue escalando, com novos desdobramentos sendo aguardados nos bastidores diplomáticos e religiosos.
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