As construções de barro são ótimas para manter o frescor no verão e o calor no inverno, além de suportar eventos extremos

G1 Publicado em 15/07/2022, às 08h14
Na cidade murada antiga de Saná, no Iêmen, arranha-céus de barro elevam-se do solo.
Essas estruturas em forma de torre são totalmente construídas com terra batida e decoradas com marcantes padrões geométricos. As construções de terra misturam-se com as montanhas próximas, com sua coloração ocre.
A arquitetura de barro de Saná é tão original que a cidade foi reconhecida como Patrimônio Mundial da Unesco.
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"Como exemplo notável de um conjunto arquitetônico homogêneo que reflete as características espaciais dos primeiros anos do islamismo, o cenário da cidade tem excepcional qualidade artística e pictográfica", afirma a Unesco na sua descrição de Saná. "As construções são uma demonstração de excepcional destreza no uso dos materiais e técnicas locais."
As construções de Saná têm milhares de anos de idade, mas permanecem "terrivelmente contemporâneas", segundo Salma Samar Damluji, uma das criadoras da Fundação de Arquitetura com Tijolos de Barro de Daw'an, no Iêmen, e autora do livro The Architecture of Yemen and its Reconstruction (A arquitetura do Iêmen e sua reconstrução, em tradução livre).As antigas estruturas são habitadas até hoje. A maioria permanece sendo de residências particulares.
Damluji afirma que é fácil ver por que essas construções de barro não perderam sua atração. Elas são bem isoladas termicamente, sustentáveis e extremamente adaptáveis para uso moderno. "É a arquitetura do futuro", segundo ela.
Arquitetos de todo o mundo estão retomando a construção com terra batida enquanto procuram construir edificações sustentáveis que possam suportar eventos climáticos extremos, como enchentes repentinas e calor intenso.
Será que essa forma antiga de arquitetura pode influenciar o projeto de nossas casas e cidades no futuro? E essa retomada dos princípios básicos pode representar uma alternativa viável para a crise climática?
A questão do clima na construção
A construção civil representa 38% das emissões mundiais de dióxido de carbono. Por isso, o setor da construção tem um importante papel a desempenhar para que o mundo possa atingir seu objetivo de zerar as emissões até 2050 e manter o aumento da temperatura global abaixo do limite crítico de 1,5 °C.
Os cientistas alertam que é fundamental substituir o concreto por materiais menos poluentes para atingir nossos objetivos climáticos. Afinal, a pegada de carbono do concreto - fundamental para a construção moderna - é enorme.
As construções de concreto representam cerca de 7% das emissões globais de CO2 - substancialmente mais que a indústria da aviação, que é responsável por 2,5% das emissões. Em todo o mundo, são anualmente produzidos 4 bilhões de toneladas de cimento, que é o principal componente do concreto.
"Não podemos mais viver em selvas de concreto", adverte Damluji. "Precisamos levar em conta o meio ambiente e a diversidade."
O barro pode ser a alternativa sustentável perfeita para o concreto, segundo Damluji. Construir com barro traz impactos muito pequenos ao meio ambiente, e o material, por si só, é totalmente reciclável.
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