O soldado precisou ser submetido a uma cirurgia para a retirada do material

Nathalia Jesus Publicado em 14/01/2023, às 13h25
Acostumados com ferimentos de guerra e cirurgias de emergência, médicos militares não são figuras fáceis de surpreender pela gravidade de alguma situação. No entanto, o raio-x de um soldado ucraniano deixou toda a equipe médica chocada nos últimos dias.
Isso porque, os cirurgiões precisaram se preparar para retirar uma granada não detonada que ficou alojada no fundo da cavidade toráxica, próxima ao coração, do soldado ferido.
A cirurgia foi realizada pelo cirurgião militar Andryi Verba, um dos mais experientes na área, e supervisionada por dois especialistas em explosivos, estes para garanttir a segurança da equipe que estava no local e ajudar a manusear o equipamento naval sem que ele explodisse.
De acordo com as informações da BBC, os procedimentos cirúrgicos precisaram ser alterados por questões de segurança. A eletrocoagulação, comumente utilizada para estancar o sangue durante a cirurgia, precisou ser suspensa para que a carga elétrica acionasse a granada.
A VOG é uma granada de fragmentação russa. O modelo alojado dentre o corpo do soldado ucraniano tinha cerca de quatro centímetros de diâmetro e pesava 275 gramas.
Segundo analistas ucranianos, uma VOG normalmente explode em aproximadamente 20 segundos após o seu lançamento. Por isso, os militares ficaram surpreendidos com a forma como a granada não detonada foi recuperada e também como ela permaneceu ativa e gerando riscos após a cirurgia do soldado até ser desativada definitivamente.
Militares ucranianos relataram que esse tipo de armamento sempre foi utilizado contra eles, desde o início do conflito no leste da Ucrânia, em 2014, incluindo o lançamento a partir de drones não tripulados.
O nome do soldado ferido não foi divulgado pelas autoridades ucranianas, mas um conselheiro do Ministério de Assuntos Internos da Ucrânia, Anton Gerashchenko, deu mais detalhes sobre o homem e citou fontes militares em uma publicação nas redes sociais: "Sobre este paciente, posso dizer que ele nasceu em 1994, agora ele será enviado para reabilitação, sua condição é estável."
Também nas redes sociais, a vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Maliar, descreveu a situação como um verdadeiro "choque".
"Acontece que nem todos os ferimentos na área do coração são letais", disse ela em uma publicação.
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