Em discurso na TV estatal iraniana, líder supremo diz que Washington não conseguirá derrubar a República Islâmica e endurece o tom enquanto negociações nucleares são retomadas em Genebra.

Redação Publicado em 17/02/2026, às 11h46
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, não conseguirá derrubar a República Islâmica, destacando a resistência do regime iraniano frente à hostilidade americana ao longo de 47 anos.
Khamenei também se referiu ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, enfatizando a capacidade militar do Irã, que possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, próximo do necessário para uma arma nuclear, e que a negociação sobre seu programa de mísseis não será aceita.
Enquanto as negociações nucleares entre Washington e Teerã ocorrem sob mediação de Omã, a tensão aumenta com o envio de reforços militares americanos ao Oriente Médio e novos exercícios da Guarda Revolucionária iraniana no Estreito de Ormuz, elevando o risco de um confronto militar.
O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, afirmou nesta terça-feira (17) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não conseguirá derrubar a República Islâmica e fez uma ameaça direta à presença militar americana na região.
Em discurso transmitido pela TV estatal em Teerã, Khamenei declarou que, apesar de quase cinco décadas de hostilidade, Washington não foi capaz de enfraquecer o regime iraniano. “Há 47 anos os EUA não conseguiram destruir a República Islâmica. Você também não conseguirá”, disse, dirigindo-se a Trump.
O líder iraniano também mencionou o porta-aviões USS Abraham Lincoln, que integra o grupo de ataque americano posicionado no Mar Arábico, próximo ao território iraniano. Segundo ele, “mais perigoso que o porta-aviões deles é a arma que pode enviá-lo ao fundo do mar”, em referência ao arsenal de mísseis do país.
Negociações sob pressão
As declarações ocorrem em meio à retomada das negociações nucleares entre Washington e Teerã, mediadas por Omã, em Genebra. O governo Trump pressiona por um acordo que limite não apenas o programa nuclear iraniano, mas também o desenvolvimento de mísseis balísticos e o apoio de Teerã a grupos armados na região.
Khamenei, porém, voltou a afirmar que o programa de mísseis “não tem nada a ver com os EUA” e não fará parte das tratativas. Para o regime iraniano, a capacidade balística é elemento central de dissuasão militar.
Segundo a Agencia Internacional de Energia Atomica, o Irã possui cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60%, percentual próximo ao nível necessário para a fabricação de uma arma nuclear. Autoridades iranianas sinalizaram que poderiam diluir parte desse estoque em troca do alívio das sanções econômicas impostas pelos EUA.
Escalada militar
Desde janeiro, Trump determinou o envio de reforço militar ao Oriente Médio, incluindo dois porta-aviões — além do USS Abraham Lincoln, também o USS Gerald R. Ford —, destróieres e dezenas de aeronaves de combate.
Em declarações recentes, o presidente americano alternou entre otimismo cauteloso e ameaças diretas. Afirmou estar envolvido “indiretamente” nas negociações e indicou que poderá adotar “medidas muito duras” caso não haja acordo.
A Guarda Revolucionária iraniana anunciou novos exercícios militares no Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o comércio global de petróleo, elevando ainda mais a tensão entre os dois países.
Analistas avaliam que o momento é um dos mais delicados desde a saída dos EUA do acordo nuclear de 2015, com riscos reais de confronto militar caso as negociações fracassem.
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