O ex-presidente francês foi condenado por associação criminosa em caso de financiamento irregular da campanha de 2007, supostamente ligado à Líbia

William Oliveira Publicado em 25/09/2025, às 10h14
Nesta quinta-feira (25), a Justiça francesa condenou o ex-presidente Nicolas Sarkozy, de 70 anos, a cinco anos de prisão por associação criminosa no caso de financiamento irregular da campanha presidencial de 2007, supostamente apoiada pelo regime da Líbia.
Embora tenha sido considerado culpado nessa acusação, Sarkozy foi absolvido das imputações de corrupção passiva e de recebimento direto de dinheiro do falecido líder líbio Muammar Khadafi.
O tribunal determinou a execução provisória da pena, destacando a gravidade dos fatos. Sarkozy ainda pode recorrer, mas afirmou estar preparado para cumprir a condenação:
“Dormirei na prisão de cabeça erguida”, declarou.
Segundo a presidente do Tribunal Criminal de Paris, Nathalie Gavarino, o ex-presidente foi responsabilizado por permitir que seus assessores buscassem apoio financeiro entre 2005 e 2007. A leitura da sentença contou com a presença da esposa, Carla Bruni-Sarkozy, e de três filhos. Ao sair do tribunal, Sarkozy reafirmou sua inocência, alegou motivação política nas acusações e alertou para riscos ao Estado de Direito na França.
O Ministério Público francês tem até um mês para definir a data de início do cumprimento da pena. Durante o processo, a Promotoria descreveu Sarkozy como o principal articulador de um suposto pacto com Khadafi e havia pedido uma pena de sete anos de prisão.
Essa nova condenação se soma a outras duas já recebidas por corrupção e tráfico de influência em 2012, que levaram à perda da Legião de Honra, uma das maiores condecorações da França.
De acordo com as investigações, Khadafi teria fornecido recursos para a campanha de Sarkozy em troca de vantagens diplomáticas que melhorassem sua imagem internacional. O líder líbio acabou deposto e morto em 2011, após a intervenção militar da Otan na Líbia — na qual a França teve papel de destaque.
Além de Sarkozy, outras onze pessoas foram processadas. Claude Guéant, ex-braço direito do ex-presidente, foi condenado por corrupção; Brice Hortefeux recebeu pena por associação ilícita; já Éric Woerth, tesoureiro da campanha, foi absolvido.
A acusação se baseou em transferências financeiras e depoimentos de ex-dirigentes líbios, incluindo o empresário franco-libanês Ziad Takieddine, que havia declarado ter transportado malas de dinheiro para Sarkozy. Sua posterior mudança de versão e morte recente levantaram novas suspeitas e abriram investigações adicionais, inclusive contra o ex-presidente e sua esposa, por supostas tentativas de manipulação de testemunhas.
Sarkozy já havia sido condenado no caso das “escutas”, tornando-se o primeiro ex-chefe de Estado francês a usar tornozeleira eletrônica. No próximo dia 8 de outubro, a Corte de Cassação analisará outro recurso relacionado ao financiamento ilegal da campanha presidencial fracassada de 2012.
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