Movimentação pode destravar fluxo de navios em meio a ataques e tensão crescente no Oriente Médio

Manoela Cardozo Publicado em 29/03/2026, às 08h00
O governo do Paquistão anunciou neste sábado que o Irã deve liberar, nos próximos dias, a passagem de 20 petroleiros com bandeira paquistanesa pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo.
A expectativa marca um possível alívio após semanas de incerteza. O estreito havia sido impactado logo no início da escalada do conflito na região, quando Teerã passou a restringir o tráfego marítimo e intensificar ações contra estruturas estratégicas ligadas à produção e ao escoamento de petróleo.
Nos últimos dias, ataques atingiram instalações em países-chave do Golfo. Infraestruturas na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos foram danificadas, aumentando o temor de interrupções prolongadas no abastecimento global.
Com a instabilidade no Estreito de Ormuz, rotas alternativas passaram a ganhar protagonismo, mas também se tornaram vulneráveis. Uma delas fica no Golfo de Omã, onde está localizado o porto de Fujairah, considerado um dos maiores centros de armazenamento de petróleo do mundo. O terminal recebe a produção transportada por oleodutos a partir de Abu Dhabi, com capacidade de escoar cerca de 1,7 milhão de barris por dia.
Outra via estratégica está em território saudita. Um oleoduto de longa extensão liga áreas produtoras ao porto de Yanbu, no litoral do Mar Vermelho. A partir dali, embarcações seguem por uma rota que inclui o Bab el-Mandeb, outro ponto sensível para o comércio internacional.
Mesmo essas alternativas não escaparam da escalada de violência. Ataques recentes com drones e mísseis atingiram tanto Fujairah quanto Yanbu, evidenciando a ampliação do alcance dos confrontos e o risco de novos impactos na cadeia global de energia.
A possível liberação dos navios paquistaneses surge, portanto, como um sinal de distensão pontual, ainda que o cenário geral permaneça instável e cercado de incertezas.
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