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Guerra

Irã retalia ataques dos EUA com mísseis em Doha, elevando tensões no Oriente Médio

A operação foi limitada e notificada previamente, visando interesses americanos e evitando áreas habitadas

A operação foi limitada e notificada previamente, visando interesses americanos e evitando áreas habitadas - Imagem: Reprodução / @DailyLoud
A operação foi limitada e notificada previamente, visando interesses americanos e evitando áreas habitadas - Imagem: Reprodução / @DailyLoud

Gabriela Thier Publicado em 23/06/2025, às 16h02


Irã acaba de retaliar os ataques dos Estados Unidoscontra suas instalações nucleares nesta segunda-feira (23) lançando mísseis direcionados à base militar de Al-Udeid, localizada em Doha, no Qatar. Este ataque, conforme informado, foi uma ação controlada que, segundo as autoridades americanas, não resultou em vítimas.

A operação, nomeada "Operação Anúncio da Vitória" pela mídia estatal iraniana, também incluiu um ataque ao aeródromo de Ain al-Asad, no Iraque. Contudo, o Pentágono assegurou que não houve ameaças concretas na área, apesar do alerta emitido pelas defesas aéreas presentes.

As forças armadas do Irã esclareceram que seu alvo era estritamente relacionado a interesses americanos e estavam distantes de zonas habitadas, reiterando que não buscavam causar tensão com o Qatar. Em resposta a essa situação, o governo do Qatar anunciou que interceptou pelo menos um dos mísseis direcionados à sua base militar e se declarou preparado para se proteger.

A manobra parece ter sido elaborada para satisfazer a opinião pública interna do Irã, visto que foi limitada e notificada previamente tanto aos Estados Unidos quanto ao governo do Qatar, que fechou seu espaço aéreo antes do ataque. Tal abordagem evoca eventos de 2020, quando o Irã respondeu ao assassinato de um importante general por ordens de Donald Trump com um ataque similar a uma base americana no Iraque. Agora, a situação é ainda mais delicada devido à fragilidade da defesa aérea iraniana após dias de bombardeios israelenses.

A escalada de tensões alarmou líderes internacionais. O presidente francês Emmanuel Macron fez um apelo para que as nações voltem à mesa de negociações em relação ao programa nuclear do Irã, enfatizando a necessidade de impedir que Teerã desenvolva armas nucleares — uma das justificativas usadas por Israel para seus ataques. Ele advertiu sobre a urgência em evitar uma "espiral do caos" na região.

Informações iniciais do Qatar indicam que não houve registros de civis feridos durante o ataque. Apesar da intenção aparente de manter a ação restrita, essa retaliação poderá complicar ainda mais o cenário resultante dos recentes bombardeios realizados por Israel desde o dia 13. As forças americanas na região foram colocadas em estado de alerta elevado.

A base de Al-Udeid está situada a aproximadamente 350 km da costa iraniana e desempenha um papel central nas operações aéreas dos EUA no Oriente Médio, abrigando cerca de 10 mil militares americanos e aliados. Nos últimos dias, imagens de satélite mostraram que muitos dos aviões estacionados na base haviam sido retirados antes do ataque, embora os EUA afirmem que nenhum míssil atingiu a instalação.

Doha, a capital do Qatar e lar de 2,6 milhões de habitantes, experimentou fortes explosões em sua periferia durante os ataques. Historicamente, o país tem evitado conflitos armados e é conhecido por sua riqueza proveniente do petróleo. No entanto, tensões regionais não são inéditas; em 2017, o Qatar enfrentou um bloqueio aéreo imposto pela Liga Árabe sob liderança da Arábia Saudita devido a supostas ligações com o Irã e apoio ao terrorismo. Esse bloqueio foi suspenso antes da Copa do Mundo de 2018 e relações pacificadas foram estabelecidas em 2021.


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