Teerã afirma que não procurou Washington para negociar o fim da guerra e indica que navios de países neutros ainda podem circular pela rota estratégica do petróleo.

Redação Publicado em 16/03/2026, às 11h15
O governo do Irã negou ter solicitado um cessar-fogo aos Estados Unidos, contradizendo afirmações do presidente Donald Trump sobre negociações entre os países. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, afirmou que um acordo de paz deve significar o fim da guerra, não uma pausa temporária.
Araqchi também esclareceu que o Estreito de Ormuz, vital para o comércio de petróleo, não está completamente bloqueado, apenas para países considerados inimigos. Embarcações de nações não envolvidas no conflito continuam a transitar pela região com a coordenação das Forças Armadas iranianas.
Enquanto isso, os EUA pressionam aliados europeus a se juntarem a uma operação militar para garantir a segurança da navegação no estreito, mas países como Alemanha, Itália e Grécia já manifestaram a intenção de não participar. A situação permanece tensa, com a possibilidade de um bloqueio total do estreito gerando uma crise global no fornecimento de petróleo.
O governo do Irã negou nesta segunda-feira (16) ter solicitado um cessar-fogo aos Estados Unidos, contrariando declarações feitas pelo presidente americano Donald Trump, que afirmou no fim de semana que Teerã teria procurado Washington para iniciar negociações.
A informação foi divulgada pela agência estatal Students News Network (SNN), que citou declarações do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi.
Segundo o chanceler, o país não pediu qualquer negociação de trégua e mantém a posição de que um eventual acordo de paz deve representar um fim definitivo da guerra, e não uma pausa temporária nos combates.
Apesar da negativa sobre as negociações, o governo iraniano indicou que o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo, não está totalmente bloqueado.
De acordo com Araqchi, a passagem marítima está fechada apenas para países considerados inimigos ou que apoiam a ofensiva militar contra o Irã.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores acrescentou que embarcações de países não envolvidos diretamente no conflito continuam transitando pela região mediante coordenação com as Forças Armadas iranianas.
O Estreito de Ormuz é considerado um dos pontos estratégicos mais importantes do planeta para o comércio de energia. Cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo passa pela rota, o que faz qualquer restrição gerar impacto imediato nos mercados internacionais.
As tensões na região aumentaram ainda mais após os Estados Unidos realizarem ataques contra instalações petrolíferas iranianas, incluindo a ilha de Kharg, importante centro de exportação de petróleo do país.
Em meio à escalada do conflito, o presidente Donald Trump também pressionou aliados europeus a participarem de uma operação militar para garantir a segurança da navegação na região.
Segundo declarações feitas no domingo (15), o governo americano teria solicitado que cerca de sete países enviassem navios de guerra para ajudar a manter o Estreito de Ormuz aberto.
No entanto, ao menos três países da Europa — Alemanha, Itália e Grécia — já indicaram que não pretendem participar da iniciativa militar liderada pelos Estados Unidos.
A situação no Oriente Médio segue sendo acompanhada com preocupação por governos e mercados financeiros, já que qualquer bloqueio total do estreito poderia provocar uma crise global no fornecimento de petróleo.
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