Crise econômica e forte repressão do governo de Khamenei aumentam a tensão no país, com mulheres e jovens desafiando publicamente o regime

Lívia Gennari Publicado em 10/01/2026, às 21h09
O Irã enfrenta uma onda de protestos que já deixou pelo menos 65 mortos e mais de 2.300 pessoas presas, segundo a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos. As manifestações, que começaram em Teerã no final de dezembro, ganharam proporções inéditas nos últimos dias e se espalharam para 25 das 31 províncias do país, de acordo com a agência AFP.
O estopim dos protestos foi a grave crise econômica enfrentada pelo país: a moeda local, o rial, perdeu metade de seu valor frente ao dólar em 2025, e a inflação chegou a 40% em dezembro. Inicialmente focadas em reivindicações econômicas, as mobilizações se transformaram em um movimento contra o próprio governo, com pedidos de renúncia do líder supremo Ali Khamenei.
Em pronunciamento transmitido pela TV estatal na última sexta-feira (9), Khamenei declarou que o governo "não vai recuar" diante dos protestos, classificando os manifestantes como “vândalos” e “sabotadores”. Ele ainda direcionou críticas ao presidente americano Donald Trump, afirmando que ele deveria “cuidar do seu próprio país”. Em resposta, Trump condenou a repressão aos manifestantes e avisou que o Irã será “atingido muito duramente” caso continue a violência.
A repressão às manifestações inclui cortes de internet, que completaram 48 horas neste sábado (10), dificultando a organização dos atos e o compartilhamento de imagens nas redes sociais, segundo a organização NetBlocks.
Símbolo de revolta
Entre os atos mais marcantes, vídeos mostram mulheres iranianas retirando o hijab — o véu obrigatório — em público, desafiando abertamente as leis do regime. Em um caso que ganhou repercussão internacional, uma mulher apareceu sem o hijab, queimando uma foto de Khamenei e acendendo um cigarro nas chamas — um gesto de alto risco, considerado uma afronta direta à autoridade do líder supremo.
Especialistas destacam que tais manifestações refletem o aumento da insatisfação social e política, especialmente entre jovens e mulheres, e dão continuidade aos movimentos de 2022, quando a morte de Mahsa Amini sob custódia policial desencadeou protestos em todo o país. Desde então, o uso obrigatório do véu tornou-se um dos símbolos centrais da resistência civil no Irã.
Mesmo com a repressão e a instabilidade nas comunicações, as mobilizações seguem em várias cidades, evidenciando a tensão crescente entre a população e o governo iraniano. Atos como a retirada do véu e outros gestos de contestação pública indicam que o descontentamento popular continua firme, em meio a um cenário de crise econômica e política.
Leia também

Nova namorada de Manoel Gomes, o Caneta Azul, faz revelação sobre vida íntima do casal

Caso Deolane: delegada faz revelação bombástica que pode mudar rumo da investigação

O fim da Ordem Mundial: 2026 e o retorno do "cada um por si"

Por que Ricardo Gontijo se tornou um dos empresários mais controversos da construção civil

Rio Preto registra três furtos de veículos em apenas seis horas

Michelle Bolsonaro pede união entre aliados após atrito com Flávio Bolsonaro

Mãe de menino e auxiliar de enfermagem são encontrados mortos após tentativa de sequestro em SP

Vereador do PT é preso em operação que investiga lavagem de dinheiro do PCC em São Paulo

TCU recebe evento de lançamento de livro de Vital do Rêgo Filho

Ex-chefe de gabinete de Carlos Bolsonaro vira réu por suposto esquema de rachadinha na Câmara do Rio