Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn é conhecido por superlotação, violência, quedas de energia e já abrigou réus de casos emblemáticos do sistema judicial americano.

Ana Beatriz Publicado em 04/01/2026, às 09h05
O ex-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deverá aguardar julgamento em uma das prisões federais mais criticadas dos Estados Unidos. Após ser capturado em uma operação militar americana em Caracas e levado a Nova York neste sábado (3), Maduro deve ser transferido para o Centro de Detenção Metropolitano (MDC), no Brooklyn — unidade marcada por denúncias recorrentes de condições degradantes e falhas estruturais graves.
Maduro chegou ao território americano no início da noite, desembarcando na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart, escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais. Algemado e vestindo roupas cinzas, ele foi visto sob forte esquema de segurança antes de ser encaminhado às autoridades judiciais. A esposa, Cilia Flores, também foi capturada na operação, mas seu destino imediato não foi oficialmente divulgado.
Construído nos anos 1990 para aliviar a superlotação carcerária em Nova York, o MDC Brooklyn abriga presos que aguardam julgamento em tribunais federais de Manhattan e do próprio Brooklyn. Apesar do perfil de alta segurança, a prisão ganhou notoriedade negativa ao longo dos anos.
O local já recebeu detentos de grande repercussão internacional, como o produtor musical Sean “Diddy” Combs, o fundador da FTX Sam Bankman-Fried, a socialite Ghislaine Maxwell e líderes do narcotráfico internacional, incluindo Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “El Mayo” Zambada. Para esses presos considerados de alto risco, protocolos especiais de vigilância costumam ser adotados — como ocorreu no caso de El Chapo, após fugas anteriores no México.
Prisão marcada por crises e mortes
Ex-detentos e advogados descrevem o MDC como um ambiente “repugnante” e de condições “horripilantes”. Em junho de 2024, um preso foi esfaqueado até a morte dentro da unidade. Um mês depois, outro detento morreu após uma briga, episódio que levou advogados a classificarem o presídio como um “inferno na Terra”, em declarações ao The New York Times.
A situação se agravou ainda mais em janeiro de 2019, quando uma queda de energia deixou a prisão às escuras por quase uma semana, durante temperaturas abaixo de zero. Detentos relataram falta de aquecimento, banheiros inutilizados e confinamento prolongado nas celas. O episódio motivou uma investigação do Departamento de Justiça e resultou em um acordo judicial que indenizou cerca de 1.600 presos em aproximadamente US$ 10 milhões.
Atualmente, o MDC Brooklyn é o único centro de detenção federal ativo na cidade de Nova York, operando com déficit de funcionários e enfrentando denúncias constantes sobre segurança, higiene e tratamento aos detentos.
Caso seja confirmado o envio de Nicolás Maduro à unidade, o líder chavista aguardará julgamento em um ambiente que simboliza, para muitos críticos, o colapso estrutural do sistema prisional federal americano — agora no centro de um dos episódios geopolíticos mais graves dos últimos anos.
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