Tanguy Baghdadi afirmou em entrevista ao podcast 'O Assunto' que 'objetivos difusos' da Rússia na guerra farão o país declarar vitória alguma hora. Altos custos do conflito podem fazer países pensarem em ceder

Redação Publicado em 06/06/2022, às 00h00 - Atualizado às 08h02
O professor de Relações Internacionais da Universidade Veiga de Almeida Tanguy Baghdadi afirmou em entrevista ao podcast “O Assunto” que acredita que a guerra na Ucrânia pode se estender por meses ou mais de um ano, e que a Rússia deve permanecer isolada por pelo menos entre 10 e 20 anos.
Desde 24 de fevereiro, quando começaram as ofensivas russas, o governo de Kiev contabiliza cerca de 20% do território ocupado pelo invasor, baixas de até 100 soldados por dia, cidades destruídas e pelo menos 14 milhões de pessoas que precisaram abandonar suas casas, quando não o país. Apesar das perdas dos ucranianos, a Rússia se surpreende com a resistência deles, enquanto perde generais e sofre com sanções sem precedentes.
“Meu prognóstico é que Rússia vai ficar isolada durante alguns 10, 15 , 20 anos. Mas a guerra ainda tem pelo menos alguns meses, talvez mais de um ano, para se desenrolar, até que a Rússia declare a sua vitória. Não da pra prever quando isso vai ser”, disse Baghdadi .
Os dois lados seguem sustentando que alcançarão vitória no campo de batalha. Mas o professor da Veiga de Almeida acredita a declaração de vitória da Rússia virá “alguma hora”, considerando os objetivos difusos do país na guerra.
“Rússia mergulhou de cabeça nessa guerra. Pode até acontecer de alguma hora ela declarar vitória. […] Os objetivos que a Rússia colocou são muito difusos, como a “desnazificação”, que são ideias que não são exatamente quantificáveis, então isso garante ao [presidente russo, Vladimir] Putin a possibilidade de dizer a qualquer momento que venceu a guerra”, explicou.
Na conversa com Renata Lo Prete, Tanguy também analisou a posição norte-americana e a possibilidade de formação de dois blocos opostos.
“Podemos ver a formação de dois blocos absolutamente apartados”. Seria o resultado do contencioso dos EUA com Rússia e China. No entanto, segundo o professor, a China não teria sido consultada. “Eu acho que a China não está muito satisfeita com essa divisão. A China quer, sim, se aproximar da Rússia, mas tem laços muito próximos, muito intensos, com os países ocidentais”, disse.
O professor também comentou os altos custos da guerra tanto para Ucrânia e Rússia quanto para Estados Unidos e países da Europa Ocidental. “Essa é uma guerra muito cara e de efeitos de longo prazo para o mundo todo”, afirmou Baghdadi. Segundo ele, isso “levou a países pensarem em saída que não seja a guerra e feito com quem pensem em ceder em algo”.
A Ucrânia precisa de mais: não apenas encerrar o conflito, mas estabelecer acordos diplomáticos que evitem “uma outra guerra daqui a dois anos”.
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