Representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, anuncia investigação sobre práticas comerciais do Brasil em meio a tensões diplomáticas

William Oliveira Publicado em 16/07/2025, às 13h30
O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, anunciou nesta terça-feira (15) a abertura de uma investigação sobre supostas práticas comerciais "injustas" por parte do Brasil. A medida ocorre em meio ao agravamento das tensões diplomáticas, uma semana após o presidente Donald Trump ameaçar impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Desde o início de seu segundo mandato, Trump vem intensificando uma guerra comercial que envolve tarifas contra quase todos os parceiros dos EUA. A intenção é reestruturar a economia global, eliminando o que considera uma "discriminação histórica" contra o país.
Segundo Greer, a investigação irá apurar se as políticas brasileiras em setores como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico — como o Pix —, além das tarifas preferenciais praticadas, são discriminatórias ou onerosas às empresas norte-americanas.
"Por orientação do presidente Trump, estou iniciando uma investigação da Seção 301 sobre os ataques do Brasil", afirmou Greer. Ele citou impactos negativos sobre empresas de mídia social, agricultores, trabalhadores e o setor de tecnologia dos EUA.
Após consultas internas, Greer concluiu que "as barreiras tarifárias e não tarifárias impostas pelo Brasil exigem uma investigação abrangente e, possivelmente, uma resposta adequada".
Tarifa de 50% e motivações políticas
A tarifa de 50%, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto, foi ampliada por Trump, superando a proposta inicial de 10%. Entre as justificativas apresentadas estão decisões judiciais brasileiras envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e empresas de tecnologia dos EUA.
A vinculação entre a tarifa e o julgamento de Bolsonaro surpreendeu analistas e levantou preocupações entre especialistas em comércio internacional, especialmente porque o Brasil importa mais dos Estados Unidos do que exporta.
Em nota oficial, o governo brasileiro classificou a iniciativa como uma "intromissão indevida e inaceitável" nos assuntos internos do país, após o Departamento de Estado dos EUA publicar críticas ao presidente Lula e ao STF, acusando-os de perseguir Bolsonaro e limitar a liberdade de expressão.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo pretende reverter a tarifa e está disposto a negociar mais tempo caso necessário.
O que é a Seção 301?
A Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 tem sido usada pelos EUA como base legal para impor tarifas contra países acusados de prejudicar empresas americanas. Durante o primeiro mandato de Trump, foi o principal instrumento na disputa comercial com a China e também serviu para investigações contra países que taxaram serviços digitais de empresas dos EUA.
No caso brasileiro, Washington alega que o país favorece exportações de parceiros comerciais com tarifas mais baixas, impõe barreiras ao etanol norte-americano e não combate de forma eficaz o desmatamento ilegal — fatores que, segundo os EUA, afetam a competitividade de seus produtores.
Leia também

Nova namorada de Manoel Gomes, o Caneta Azul, faz revelação sobre vida íntima do casal

Relembre a Lei Mariana Ferrer, criada após revolta com audiência do caso

Caso Palmeiras: Laudo do IML não aponta lesões corporais, mas Polícia Civil mantém investigação de suposto abuso infantil

Silvia Abravanel anuncia pré-candidatura e disputa vaga na Câmara pelo PSD

Investigado por suposta falsificação de peças de luxo já foi denunciado pelo GAECO em caso de roubo de cargas

Cristiano Ronaldo faz história e Portugal atropela o Uzbequistão na Copa do Mundo

Seleção do Irã pede paz entre nações em carta deixada no vestiário após jogo da Copa

TSE manda apagar posts de integrantes do PT que relacionavam Flávio Bolsonaro ao Comando Vermelho

Ou você faz política ou você faz guerra

"Muito volátil", diz Trump; eleição no Brasil seria seu próximo grande desafio