Apuração conduzida pela USTR analisa Pix, etanol e desmatamento e deve ser concluída em julho, com potencial impacto nas relações bilaterais.

Redação Publicado em 30/04/2026, às 10h12
O governo dos Estados Unidos está finalizando um relatório que pode impactar a relação comercial com o Brasil, focando em práticas consideradas desleais e potencialmente resultando em sanções econômicas.
A investigação, iniciada em julho de 2025, analisa questões como o sistema de pagamentos Pix, tarifas sobre o etanol e o desmatamento ilegal, que afetam a competitividade de empresas americanas.
O relatório pode recomendar tarifas adicionais ou restrições a produtos brasileiros, aumentando a pressão sobre o governo do Brasil para ajustar suas políticas econômicas e ambientais a fim de evitar tensões comerciais.
O governo dos Estados Unidos deve concluir, até julho deste ano, um relatório que pode alterar significativamente a relação comercial com o Brasil. A investigação, conduzida pela USTR, avalia práticas consideradas “desleais” por Washington e pode resultar na imposição de sanções econômicas.
Aberta em julho de 2025, a apuração segue os parâmetros da chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA — instrumento utilizado historicamente para reagir a políticas comerciais estrangeiras vistas como prejudiciais aos interesses norte-americanos.
Entre os seis pontos analisados, três concentram maior atenção: o sistema de pagamentos instantâneos Pix, a política de tarifas sobre o etanol e o avanço do desmatamento ilegal no país.
No caso do Pix, o governo americano argumenta que o modelo brasileiro cria um ambiente desfavorável à concorrência, ao concentrar no Banco Central do Brasil os papéis de operador, regulador e gestor do sistema. Segundo essa avaliação, empresas privadas dos EUA, como Visa e Mastercard, estariam em desvantagem competitiva.
Outro foco de atrito é o mercado de etanol. Autoridades americanas apontam que o aumento das tarifas brasileiras teria praticamente inviabilizado as exportações do combustível dos EUA para o Brasil nos últimos anos. Dados indicam uma queda expressiva nas vendas, o que reforça a pressão por revisão das políticas comerciais no setor.
Já no campo ambiental, o desmatamento ilegal também entrou no radar da investigação. Para o governo americano, a dificuldade do Brasil em conter práticas ilegais poderia gerar impactos indiretos no comércio internacional, afetando a competitividade de produtores agrícolas e madeireiros dos EUA.
Além desses pontos, o relatório deve abordar questões como proteção à propriedade intelectual, combate à corrupção e políticas tarifárias diferenciadas aplicadas pelo Brasil a outros parceiros comerciais.
O documento final poderá recomendar medidas como a imposição de tarifas adicionais ou restrições a produtos brasileiros — cenário que já ocorreu anteriormente, como na tarifa de 40% aplicada durante o governo de Donald Trump em 2025, posteriormente revertida após negociações diplomáticas.
Nos bastidores, a expectativa é de que o relatório aumente a pressão sobre o governo brasileiro, que pode ser levado a negociar ajustes em políticas econômicas e ambientais para evitar uma escalada de tensões comerciais.
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